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Reino Unido. Mais de 700 crianças foram alvos de abusos entre 1960 e 1990

Os crimes aconteceram em Lambeth, onde funcionários abusaram sexualmente e agrediram menores que estavam em casas de acolhimento. 


Uma investigação independente no Reino Unido revelou que foram escondidas informações que revelavam que mais de 700 crianças no sul de Londres foram alvo de violência doméstica, negligência e abusos sexuais entre os anos de 1960 e 1990.

O Independent Inquiry into Child Sexual Abuse - IICSA (Inquérito Independente sobre Abuso Sexual Infantil) refere que os abusadores infiltravam-se em lares e em casas de acolhimento no bairro de Lambeth e tratavam as crianças como “desprezíveis”, colocando-as no destino de criminosos sexuais, algo que teve “consequências devastadoras para a vida das vítimas”.

O conselho de Lambeth pediu desculpa às vítimas por ter permitido estes abusos e confessaram que “falharam a sua missão”. A atual líder do conselho de Lambeth, Claire Holland, disse que a autoridade local estava “profundamente arrependida” pelo abuso “chocante”.

Também a Polícia Metropolitana lamentou por ter “falhado para com as crianças em necessidade de Lambeth”. O inquérito conduzido pela IICSA revela que, durante o verão de 2020, investigaram cinco lares, Angell Road, South Vale Assessment Centre, complexo de Shirley Oaks, Ivy House e Monkton Street, e indicaram que, entre as 705 queixas recebidas de abusos, apenas um membro sénior do staff foi disciplinado pelo conselho.

“Com algumas exceções, os funcionários do conselho de Lambeth trataram as crianças como se elas não tivessem valor”, pode ler-se no relatório, citado pela BBC. “Como consequência, os indivíduos que colocaram as vidas das crianças em risco conseguiram infiltrar-se em lares de acolhimento com efeitos devastadores e vitalícios para todas as vitimas”, acrescentaram os autores do inquérito.

Husna-Banoo Talukdar, uma vítima que garantiu ter sido alvo de abusos em lares, em Lambeth, entre 1976 e 1979, afirmou que continuará a lutar até que os nomes dos agressores sejam divulgados. “O relatório perdeu a oportunidade de divulgar os nomes quem fez o quê – os agressores, o conselho, a polícia, quem encobriu [os crimes]”, salientou Talukdar, que renunciou ao seu direito de anonimato.

O Independent Inquiry into Child Sexual Abuse investiga, desde 2011, falhas na proteção de crianças em vários ambientes, incluindo escolas administradas por igrejas, centros para jovens delinquentes e Internet, devendo apresentar as suas conclusões gerais no próximo ano.

Este não é o primeiro escândalo de abusos a crianças a despoletar este ano no Reino Unido. No início do ano, uma investigação associou a morte de nove mil crianças a uma rede de instituições religiosas que adotava crianças cujas mães eram solteiras ou tinham engravidado fora do casamento.

Segundo documentos do Governo, dezenas de milhares de mulheres viram os seus filhos nascer no Lar de Mães e Bebés do Bom Socorro, onde a probabilidade de a criança morrer à nascença era cinco vezes superior do que aquelas que nasciam das relações ditas “normais”.