Sociedade

Algas no Algarve. Fenómeno normal que não afeta qualidade

CCMAR planeia utilizar espécies invasoras para produzir suplementos alimentares.


A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) informou ontem que as algas que têm aparecido em algumas praias da costa Algarvia constituem um “fenómeno natural que não põe em causa a qualidade da água balnear”.

O aparecimento de grandes concentrações de algas é um fenómeno motivado pelo aparecimento de espécies invasoras, que, muitas vezes, se deslocam nos cascos dos navios.

Além disso, também as condições “meteorológicas e oceanográficas” podem ser “favoráveis ao desenvolvimento e movimentação das massas de algas” que “se amontoam na zona de rebentação das ondas e são posteriormente espalhadas pelo areal”, explica a APA.

Na costa Oeste do Algarve as algas têm aparecido com uma cor vermelha acastanhada, são habituais em fundos rochosos “e surgem na sequência de correntes propícias ou após vários dias com rajadas de vento constantes”, favorecendo a assim a subida de águas mais profundas - e, consequentemente frias e ricas em nutrientes - até à superfície.

O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg) e de outras universidades lançou esta semana uma plataforma com o objetivo de recolher dados sobre as algas encontradas e compreender quais as são as espécies invasoras que estão a dar origem à acumulação nos areais.

De acordo com o site do CCMAR, o projeto “Algas na Praia” faz com que se torne mais fácil “o envio de um conjunto de informação sobre as algas encontradas” pelos cidadãos comuns. O investigador do CCMAR Rui Santos, explica à TSF que são pedidos às pessoas que “tirem fotografias da praia em geral, para vermos a quantidade que existe, e depois também da alga na mão, para termos a noção da sua dimensão”.

O responsável ainda que a acumulação de “excessiva de algas invasoras” é preocupante, “uma vez que estas podem ter um impacto muito negativo nas espécies nativas das nossas costas”.

Neste momento, uma das espécies que está a aparecer, adianta o investigador, é pequena e avermelhada e chama-se asparagopsis armata e é proveniente da Austrália. Existe também outra espécie que vem da Coreia e do Japão e pode despoletar maus cheiros na areia.

Apesar de o CCMAR não remover as algas da praia, “atuará no sentido de contactar as autoridades competentes sempre que se justifique”, explica no site e irá inclusive tirar partido “dos seus potenciais benefícios para a saúde”.

Através do projeto Nutrisafe, cuja responsável é a professora Dina Simas, os investigadores pretendem produzir um suplemento alimentar, a partir das algas invasoras, que apresentam “características anti-inflamatórias e de proteção vascular e pulmonar, pelo que podem ser utilizadas em suplementos alimentares que permitem reduzir comorbidades comuns”.