Politica

Chega. Apologia ao nazismo e fascismo é uma "traição ao partido"

Bruno Silva, jovem que diz ser “dos primeiros militantes do Chega” e “amigo pessoal” de Ventura fez apologia ao fascismo e a Hitler.  


Numa publicação feita no Twitter, Filipa Assis expõe uma mensagem recebida no Facebook por um jovem chamado Bruno Silva. Nesta, Bruno Silva, que diz ser “dos primeiros militantes do Chega” e parte da “juventude do norte”, assume-se como “racista”, “fascista” e “amigo pessoal do Ventura”.

Num tom ofensivo, o jovem – cujo Facebook diz ter nascido em 1995 – atira ainda: “Aceita que dói menos! Espera o André Ventura e o Chega chegarem ao poder e vais ver o que é fascismo de verdade! Vamos acabar com o 25 de Abril e instaurar a 4.ª república!”. Remata, por fim, com uma apologia ao nazismo, afirmando que “Adolf Hitler estava certo [quando] tentou salvar a humanidade aos banqueiros judeus”. Despede-se, então, com a saudação Nazi: “Sieg Heil” e com a expressão “O fascismo liberta”. Para que não haja dúvidas, coloca uma fotografia ao lado de Ventura.

Contactado pelo i, André Ventura nega que Bruno Silva seja seu “amigo pessoal”, embora admita ser “conhecido do partido”. E acrescenta: “Deve ser isso que ele provavelmente quer dizer. Conheço-o de já o ter visto em alguns eventos”. Questionado acerca da militância de Bruno no Chega, Ventura confessa não saber se esta existe ou não: “Temos muita gente que participa em eventos, manifestações ou entregas de listas. Aparece muita gente. Não consigo confirmar essa informação”. Já em relação à hipótese de Bruno ser expulso se for confirmado como militante, Ventura explica que, se esse for o caso e “a veracidade da mensagem for confirmada”, o partido “ponderará agir disciplinarmente”.

E explica que “não é o presidente do partido que decide se há expulsão ou não”. Por, fim conclui: “Se as coisas se confirmarem daremos conhecimento disso à Comissão de Ética e ao Conselho de Jurisdição. Se expulsam ou não já não é comigo: darão o procedimento normal”. Assim sendo, Ventura não garante, pelo menos para já, a expulsão do rapaz que fez apologia a Hitler.

Afirma, contudo, não se rever “de todo” nas palavras do jovem Bruno Silva, dizendo que estas “não tem nada a ver com o espírito do Chega” e “não representam o sentimento do partido”. Considera-as “evidentemente perigosas” e, sobretudo, “uma traição ao espírito do partido e às mudanças que este pretende”.

Questionado sobre como vê o caso do ponto de vista penal, Ventura garante que “caberá ao Ministério Público ver isso”, construindo sobre a liberdade de expressão para rematar ao dizer que esta tem limites: “A liberdade de expressão é importante dentro do espírito que é a democracia. Eu próprio tenho sido alvo muitas vezes de limitações e sanções à liberdade de expressão e acho que a devemos levar a sério em democracia. Mas, noutros casos, trata-se de incitamento ao ódio puro e isso pode ter alguma qualificação penal”. 

Já em relação ao facto de o Chega atrair tantas pessoas  com estes discursos, Ventura nega que o partido atraia “estas pessoas” em particular, garantindo que atrai “toda a sociedade portuguesa”: “Sinceramente acho que atrai todo o tipo de gente, e isso é um desafio enorme para o nosso futuro e integração. Mas não é verdade que atraia este tipo de gente em particular. Atrai toda a gente: desde comunistas no Alentejo, até pessoas mais radicais do ponto de vista religioso até pessoas mais radicais do ponto de vista rácico e identitário. Moderados, radicais, pessoas de esquerda, pessoas de direita. E por isso, dentro desse grupo enorme de pessoas que atrai, há pessoas boas e úteis e pessoas que têm este tipo de ideias”.

Questionado sobre como funciona o processo de expurgação do partido nestes casos, André Ventura diz ter criado uma Comissão de Ética que atua nesse sentido. Esta faz “análise de redes sociais” e “funciona de forma muito severa e rápida”. Garante que a Comissão de Ética – que o próprio nomeou – age “neste tipo de casos ou em casos de ofensa entre militantes”.

Admite, contudo, dificuldade nesse processo: “É uma análise difícil de fazer, porque o Chega cresce todos os meses felizmente com centenas de militantes e é impossível fazer um controlo detalhado de quem são e de onde vêm (visto que as pessoas chegam ao site, preenchem os elementos, inscrevem-se e são militantes do Chega). É um trabalho muito aprofundado que continuaremos a fazer”.

Garante ter vontade nesse sentido, sobretudo para “não correr o risco de que acontecer o que aconteceu com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, que atraíram bombistas e assassinos sem nunca terem feito nada”. Afirma que não gostaria que tal acontecesse no Chega, estando “empenhado em combatê-lo”.