Politica

Partido Aliança a ferro e fogo

Parte da direção nacional quer depor o atual presidente, Paulo Bento, acusando-o de ‘agir unilateralmente’ e de prejudicar militantes por ‘razões pessoais’. Pedem mesmo a sua expulsão.


Um conjunto de vice-presidentes e vogais da direção política nacional do partido Aliança quer depor o atual presidente, Paulo Bento, do cargo. O mesmo grupo acusa-o da «prática de crime punível com pena de prisão» e solicita a «comunicação dos factos por via de queixa aos órgãos de polícia criminal». Em causa está a «decisão unilateral» de Paulo Bento de retirar Alexandre Nascimento – um dos queixosos – da lista de coligação encabeçada por Carlos Moedas a Lisboa. Tal decisão, segundo os queixosos, foi feita «à revelia» da direção do partido, que se insurge agora contra o seu presidente.

Segundo a cronologia descrita no ‘pedido de impugnação’ a que o Nascer do SOL teve acesso, tudo terá começado quando, na segunda-feira, Paulo Bento convocou, via WhatsApp, uma reunião para esse mesmo dia sem qualquer ordem de trabalhos. Nesta, Paulo Bento expôs «ter sido confrontado com uma situação referente ao militante Alexandre Nascimento» – número dez à Assembleia Municipal de Lisboa pela coligação ‘Novos Tempos’ – que, «segundo os dirigentes do PSD», poderia «prejudicar a coligação» caso viesse a público. Não obstante Alexandre Nascimento confirmar ter sido contactado pela imprensa sobre «uma série de factos da sua vida privada, profissional e também financeira» – que negou – e ter alertado os dirigentes do PSD (tendo estes desvalorizado), Paulo Bento decide retirá-lo da lista «à revelia de todos». Explica o documento que, «nesta sequência, sem consulta prévia, sem exercício de contraditório e à revelia de todos os princípios estatutários que regem o Aliança, o presidente tomou unilateralmente a decisão de substituir o nome do militante Alexandre Nascimento (…) pelo militante Jorge Nuno de Sá».

Depois, esgrimem argumentos: explicam que a decisão de colocar Alexandre Nascimento nas listas havia sido tomada «pelo órgão colegial» e «aprovada por maioria»; contudo, Paulo Bento «não [lhe] deu cumprimento» e «agiu de forma singular», «praticando um ato» para o qual não tem «legitimidade nem competências».

Esgrimindo mais argumentos, solicitam à comissão jurisdicional  do partido que seja decretada a nulidade da decisão de Bento e que o nome de Alexandre Nascimento volte à lista, bem como que seja instaurado procedimento disciplinar a Paulo Bento «no sentido da perda do seu mandato e subsequente expulsão do partido», com «suspensão cautelar do mandato do presidente com efeitos imediatos».