Internacional

Joe Biden pressionado para tomar ações contra alterações climáticas

O relatório do IPCC descreve que o aquecimento global é real e se não forem adotadas medidas o planeta enfrentará consequências catastróficas.

 


“Não podemos continuar a esperar para lidar com as alterações climáticas”, disse o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, depois de ter sido divulgado um relatório realizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) onde foi apresentado como certo o aumento da temperatura global em pelo menos 1,5 graus centígrados, em comparação com a era pré-industrial, até 2030.

“Os sinais não deixam dúvidas. A ciência é inegável. E os custos da inação continuam a amontoar-se”, alertou o Presidente.

O relatório, que foi desenvolvido ao longo de oito anos, contou com a participação de 234 cientistas e envolveu mais de 14 mil estudos, revela que o mundo está a “ficar sem tempo” para responder às alterações climáticas, uma vez que registou um aumento da temperatura uma década mais cedo que o suposto. 

Neste estudo são apresentados diferentes cenários para o caso de as nações mundiais descarbonizarem, em comparação com o que acontecerá se não tomarem medidas, que poderá levar ao aquecimento global de 2 ou 3 graus Celsius, que pode ter consequências catastróficas para o planeta, tornando os já recorrentes incêndios e inundações ainda piores. 

“Este não é um problema do futuro, é um problema do agora”, disse uma das co-autoras do relatório, Linda Mearns, ao Guardian, que vive em Boulder, no Colorado., que tem sido assolado por incêndios e calor extremo nas últimas semanas.

Os resultados do relatório estão a colocar uma pressão adicional para o governo norte-americano, o segundo maior emissor de gases de efeitos estufa do mundo. 

No entanto, esta ação irá depender da aprovação, por parte do congresso, de um projeto de lei no valor de 3,5 triliões de dólares (2,9 triliões de euros). Os democratas esperam conseguir aprovar este plano antes das eleições de meio-termo do próximo, onde o partido pode perder a maioria. 

“O congresso não aprovou o projeto de lei do clima, em 2009, e isso atrasou-nos uma década para conseguirmos uma legislação climática séria”, explicou a perita em política climática da Universidade de Califórnia, Leah Stokes, citada pelo jornal inglês. “Este verão é a melhor hipótese que alguma tivemos de aprovar este ambicioso projeto de lei do clima. O Presidente Biden pode tornar-se o Presidente do clima que precisamos. Não temos mais décadas a perder”. 

“Se os senadores realmente seguissem o que a ciência diz neste relatório, teríamos 100 votos [número total de senadores] para ações climáticas para combinar com a certeza total de que foram ações humanas que causaram as alterações climáticas e estão a destruir o nosso planeta”, afirmou o senador Ed Markey, de Massachussetts, citado pela CNN. “Esse relatório deve ser o aviso final para o mundo de que o nosso tempo está a acabar se quisermos salvar o planeta de mudanças climáticas perigosas e irreversíveis”, acrescentou.

A par da China e da Índia, os Estados Unidos da América são os maiores emissores mundiais de gases com efeito de estufa, o que significa que todos os esforços para controlar as alterações climáticas poderão fracassar caso estes três países não liderem a redução das emissões.

A batalha contra as alterações climáticas foi um dos bastiões da candidatura presidencial de Joe Biden, que, no dia em que tomou posse, reverteu a decisão da anterior administração liderada por Donald Trump em relação ao Acordo de Paris e assinou uma ordem executiva a determinar o regresso dos EUA ao protocolo climático alcançado numa cimeira na capital francesa em 2015.