Sociedade

André Ventura recomenda reforço da investigação à origem do SARS-CoV-2

China diz que é “extremamente improvável” que o vírus tenha escapado de um laboratório de Wuhan. Mas deputado pede investigação.


“Mais de quatro milhões de mortos depois, o mundo não sabe ainda explicar com rigor como surgiu o SARS-CoV-2”, começa por explicar André Ventura, líder do Chega, num projeto de resolução a que o i teve acesso. O deputado indica que “o que não deixa de ser curioso é que a China, local de origem do vírus, já se reergueu enquanto a Europa e o resto do mundo começam ainda a dar pequenos passos em direção à recuperação económica e social”.

“Se não há vestígio do vírus no mercado de Wuhan então a transmissão terá tido lugar noutro local, mas qual? Os investigadores não conseguiram ainda definir com certeza porque as autoridades chinesas não lhes deram acesso a dados e documentos. Porquê? O que têm a esconder do mundo? A sua responsabilidade? A sua inação? A sua incompetência?”, questiona Ventura, recomendando ao Governo que “face às mais recentes descobertas pressione a União Europeia e a ONU a investigar a origem da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, dando plenos poderes e apoio institucional, diplomático e económico à OMS para que possa levar a cabo uma investigação séria e completa que produza efeitos” e também “as instituições internacionais, tendo por base a força da União Europeia, para que não se deixem intimidar perante o poderio económico e geoestratégico da China e que levem até ao fim e com todas as consequências a investigação à origem do SARS-CoV-2”.

Recorde-se que, depois de a imprensa chinesa ter relacionado, na última semana, países como Espanha, Itália, França ou Estados Unidos à origem da covid-19, na sexta-feira, o Governo chinês apontou a teoria de que o novo coronavírus pode ter chegado ao mercado de Huanan, em Wuhan, por meio “de alimentos congelados importados”.

Pequim frisou que a teoria de que o vírus vazou de um laboratório de Wuhan é “extremamente improvável”. “Nenhum país tem o direito de colocar os seus interesses políticos à frente da ciência”, apontou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaxou, em conferência de imprensa, reagindo à pressão dos Estados Unidos para que o Instituto de Virologia de Wuhan seja investigado.