Sociedade

Incêndio em Castro Marim ameaça habitações e está a deflagrar zonas de Tavira

As chamas já estão a lavrar o concelho vizinho de Tavira, obrigando mais pessoas a abandonar as suas casas. Os meios de combate ao incêndio estão a depositar toda a sua atenção para defender as povoações e também estão a evitar que o fogo chegue a uma mata nacional, em Tavira. 

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Notícia atualizada às 21h38

O incêndio que queimou durante a madrugada uma zona de Odeleite, no concelho de Castro Marim, reativou-se esta tarde de segunda-feira, depois de ter sido dominado esta manhã. O fumo deste incêndio alastrou-se pelo céu algarvio, tendo sido visto, por exemplo, na praia do Barril, em Castro Marim, durante a tarde. 

As chamas já estão a lavrar o concelho vizinho de Tavira, obrigando mais pessoas a abandonar as suas casas, informou a Proteção Civil. Por enquanto, esta frente do incêndio está a deflagrar uma zona onde "há alguns povoados dispersos", junto à estrada municipal 509, como Carrapateira, Nora, Estorninhos e Corte António Martins, indicou o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro à agência Lusa.

Segundo o presidente da Câmara de Castro Marim, Francisco Amaral, pelas 19h15, o incêndio estava a encaminhar-se para "Vila Nova de Cacela [concelho de Vila Real de Santo António] e para Tavira", com "proporções enormes e completamente imparável".

Em Castro Marim, os meios de combate ao incêndio estão a depositar toda a sua atenção para defender as povoações e também estão a evitar que o fogo chegue a uma mata nacional, em Tavira, indicou Francisco Amaral à agência citada. 

Já foram retiradas "20 pessoas, umas voluntariamente" e outras em que foi preciso "forçar mais um pouco", apontou o líder da autarquia, ao realçar que na aldeia do Azinhal, o fogo deflagrou "centenas de hectares", de "alfarrobeiras, amendoeiras, pinheiros", havendo assim "prejuízos enormes" para estas pessoas e outras que também se "dedicavam à apicultura e que viram os seus vens desaparecer de um momento para outro". 

O presidente da Câmara de Castro Marim ainda confirmou que as principais zonas afetadas pelo fogo são de famílias ou "casais jovens", que "investiram as suas poupanças na agricultura e, de há uns anos a esta parte, estavam a criar os seus pomares", que "de um momento para o outro, viram o seu investimento reduzido a zero", 

​"O vento está a mudar de direção frequentemente e não se sabe quais são as outras povoações que podem ser atingidas. Há que fazer opções e, neste momento, a preocupação dos bombeiros é exatamente as populações e também isto poder chegar ali à mata de Santa Rita, uma mata nacional, e essa é uma preocupação dos bombeiros", sublinhou Francisco Amaral. 

Segundo o site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, estavam, pelas 20h, no local 389 operacionais no terreno, acompanhados por 120 viaturas e sete meios aéreos.

Segundo as declarações da vice-presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Filomena Sintra, à RTP, as pessoas foram retiradas "por precaução" da zona onde há um maior "foco de preocupação em termos habitacionais", visto que o "fogo reacendeu e deflagrou à volta de uma localidade". 

"Há muitos meios alocados na proteção destes pequenos aglomerados, mas, por prevenção, e até porque a localidade estava a ficar completamente cercada, achou o Comando Distrital que era previdente evacuar esses aglomerados", indicou Filomena Sintra, ao dizer que "há sempre uma resistência" das pessoas em abandonar as habitações, ao preferirem "ficar a proteger os seus bens". 

A vice-presidente realçou que "o vento [na zona] é muito" e que a "geografia do território contém muito relevo", o que dificulta o acesso às chamas. "O tipo de vegetação é de grande ignição e é muito fácil, em muito pouco tempo, estender-se em faixas do território. Os meios aéreos são determinantes", sublinhou. 

"Esteve dominado desde as 10h20, mas houve uma reativação forte. As condições meteorológicas não são muito favoráveis, com muito calor e o vento a fazer algumas projeções", explicou uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro à agência Lusa.

Pela temperatura, vento e tipo de combustível existente no local, os bombeiros já esperavam por uma possível reativação do fogo e uma “rápida propagação” das chamas, indicou a mesma fonte.

Poderá ser uma longa tarde para os bombeiros no combate ao incêndio, porém a expectativa é que o trabalho não perdure até à noite, uma vez que a humidade vai manter-se “muito baixa” e a temperatura “muito alta” durante a noite, sem gerar uma eventual oportunidade para o fogo continuar, acrescentou a fonte.

"Vamos aproveitar durante o dia com o empenhamento dos meios aéreos, porque à noite não operam e será mais complicado", apontou a fonte do CDOS de Faro.

14 pessoas vindas dos locais Pero dos Negros, Amendoeira e Marroquil foram retidas das suas habitações e estão temporariamente no Centro Comunitário do Azinhal. Irão regressar às suas casas “assim que for possível”, disse a fonte do CDOS.

O alerta para o incêndio foi dado às 01h05 perto da localidade de Pernadeira, na freguesia de Odeleite, em Castro Marim, Algarve.