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PSD repudia declarações de José Magalhães e diz que deputado segue atual estilo do PS: "Donos disto tudo"

A declaração surge após comentários que o deputado socialista fez sobre o PSD Seixal, depois de os sociais-democratas divulgarem nas redes sociais que, na madrugada de domingo para segunda-feira, decidiram alterar cinco placas toponímicas que consideravam de esquerda para nomes “apropriados”.


A Comissão Política Nacional do PSD repudiou veememente, esta quarta-feira, as declarações do deputado socialista José Magalhães, que sugeriu o recurso à violência, com um apelo a “cacetes terapêuticos”, contra o candidato do PSD Seixal, devido à ação de campanha de “marketing de guerrilha” para as eleições autárquicas.

“No Seixal, infelizmente, estamos habituados ao estilo totalitário como a política e a liberdade de expressão são encarados. Sempre sob ameaça, mas sempre com a coragem de levantar a bandeira do PSD em nome dos seixalenses”, afirmou o candidato social-democrata Bruno Vasconcelos, num comunicado do partido, divulgado no site oficial.

Tal como o i noticiou esta terça-feira, o PSD Seixal irá apresentar queixa-crime contra José Magalhães, reiterando que irá continuar a lutar para “denunciar e encontrar alternativas à censura no Boletim Municipal, às obras adiadas para provocar descontentamento da população e ao descalabro que tem sido a política de habitação” no concelho.

Ainda no comunicado, o PSD exprimiu a sua solidariedade com a lista seixalense, ao lamentar as declarações do socialista “que em nada prestigiam o espírito democrático existente em Portugal”.

“José Magalhães optou por um estilo que o PS tem vindo a seguir, expressando arrogância e comportando-se como se fossem os “donos disto tudo”, frisou o partido na nota.

O desentendimento começou no Facebook, depois de os sociais-democratas divulgarem nas redes sociais que, na madrugada de domingo para segunda-feira, decidiram alterar cinco placas toponímicas que consideravam de esquerda para nomes “apropriados”.

Este ato gerou reações imediatas, essencialmente dos partidos de esquerda e de outras localidades da margem norte do Tejo.

Recorde-se que o vereador comunista em Odivelas, Rui Francisco, partilhou no Facebook que deviam “ir atrás destes pulhas e dar-lhes no focinho”. Já José Magalhães, deputado do PS, sugeriu uma ação mais violenta, ao questionar se “uns cacetes terapêuticos não resolveriam o problema”.

Contactado pelo i, Rui Francisco interrompeu as suas férias para se mostrar “arrependido” do comentário: “Antes de qualquer contacto, considerei eu próprio que esse comentário podia ter sido extemporâneo e desajustado. Apaguei imediatamente”. Por outro lado,  Magalhães não só não apagou o comentário, como, em declarações à Lusa, o cimentou: “A terapia do cacete deve ser preventiva. Se os desordeiros, ao chegarem ao lugar onde querem violar a lei, encontrarem a autoridade pública de olhos abertos e cacete à cintura, atrevem-se? Quem diz cacete diz algemas. Quanto às queixinhas, sejam homenzinhos e tenham modos! Putos medricas dão pena”.

A atitude de Magalhães foi considerada por André Ventura como uma mais-valia para o seu partido, ao convidá-lo a inscrever-se no recrutamento para o Chega. Em declarações ao i, André Ventura, embora dizendo-se surpreendido com a posição do deputado socialista, afirmou-se confiante na mutação de José Magalhães para uma “versão 3.0” – a “versão Chega”.