Joana de Verona: “A ideia que as pessoas têm do cinema português é que tem uma identidade muito própria e com muita qualidade”

Com 31 anos e uma paixão pela arte da performance, Joana de Verona apresenta-se com uma postura leve e extrovertida. A vida passada entre Portugal e o Brasil dá à atriz a sensação de ter duas casas e, ao mesmo tempo, nunca se sentir em casa. A vontade de explorar o corpo e o olhar…

Cresceste numa família de artistas. Achas que estavas destinada a seguir o caminho da representação?

A minha família não é ligada às artes em termos profissionais. Eles têm outras profissões, mas mantém efetivamente a ligação à arte. Seja no caso da música para os meus irmãos, ou a relação da minha mãe com a pintura, mas são coisas às quais as pessoas da minha família estão ligadas em termos de hobbie. Acho que isso pode ter facilitado de alguma forma o contacto na infância com algumas influências e referências: estar rodeada de telas, ver a minha mãe a pintar, os irmãos a tocar… Isso pode ter criado ali uma conjuntura mais propícia a que eu despertasse para essas áreas. Mas quando eu comecei a fazer teatro e dança, aos oito anos, foi por minha vontade, não tinha ninguém em casa a fazer isso. 
 

Sentes que existe uma missão intrínseca à profissão do ator?

Depende do que se considera uma missão. Eu acho que existe uma coisa intrínseca à profissão de ator e intérprete que é o comunicar – e acho que tens de ter em ti uma espécie de gosto antropólogo. Ou seja, tens de gostar de pessoas, tens de gostar e de ter curiosidade pela mente humana, tens de querer explorar e descobrir os teus próprios limites para os ultrapassares. A missão do ator está ligada à comunicação e à capacidade de criar outras realidades. Logicamente, tens de ser alguém que gosta dessa criação de outros imaginários.

Quando eras pequena dizias que querias ser atriz ou bailarina. Sentes que conseguiste ir fazendo um pouco dos dois?

Eu comecei a estudar teatro e dança ao mesmo tempo e, depois, quando tive de optar escolhi o teatro. Eu tenho a sorte de hoje em dia poder trabalhar em alguns projetos, como o espetáculo Ensaio para uma cartografia, da Mónica Calle, que é um espetáculo com uma vertente muito grande de corpo. Vou fazer o espetáculo encenado pelo Miguel Seabra, do Teatro Meridional, que vai ser um espetáculo a partir dos Açores e vai ter uma mistura de intérpretes de dança e de teatro juntos, onde também vai ser convocado o universo da dança. Eu, quando não estou a trabalhar, tenho a tendência de procurar fazer formação paralela com coreógrafos e continuar assim a trabalhar o corpo. Obviamente, eu não sou bailarina, não tenho esse virtuosismo técnico, mas sou uma intérprete, que tenta trabalhar nesse sentido e aprender mais. Espero convites que me permitam trabalhar numa vertente mais corporal, é isso que me interessa. Às vezes, mesmo em trabalhos de câmara, que não têm nada que ver com o movimento ou com a dança, eu uso muito o corpo e vou buscar muitas coisas ao trabalho físico. Mesmo assim, não sei se consegui conciliar bem porque, por mim, eu fazia muito mais coisas relacionadas com o movimento. Mas, por exemplo, o Mappa Mundi, a instalação de performance que eu co-criei, é uma performance sem texto, muito ligada ao trabalho físico.

Como é que a tua visão de ser atriz foi mudando ao longo dos anos?

O que foi acontecendo ao longo dos anos foi que eu fui abrindo caminhos e explorando outras coisas, trabalhando com mais pessoas, vendo vários caminhos para chegar a um trabalho. Amim interessa-me não abordar os trabalhos sempre da mesma forma, a componente do corpo está lá sempre. Por exemplo, na Éramos Seis, a novela da Globo, a minha personagem tinha certas características e eu fui ter aulas de dança com uma coreógrafa porque percebi que aquela personagem, mesmo sendo em televisão com câmara, poderia ter uma expressão física muito específica. Como eu acredito muito na memória física, que o corpo tem memória e guarda informação, gosto de trabalhar o imaginário das personagens a partir do corpo. A minha perceção não foi mudando ao longo dos anos, o que tem acontecido é que eu me tenho apercebido que não quero ser só intérprete. Também estudei realização numa escola em Paris, fiz o Chantal, que está agora na plataforma Filmin, estou muito feliz. Na altura, quando estreou no Indie fiquei muito feliz também, porque é um ótimo festival, as pessoas puderam ver, mas agora um maior número de pessoas terá acesso. O que acontece é que eu vou sendo cada vez mais criadora, tanto em performance como em cinema.

Passaste toda a tua vida entre o Brasil e Portugal. Sentes-te mais portuguesa ou brasileira?

É muito difícil de responder. Quando converso com pessoas de dupla nacionalidade, é um tema delicado, é aquele sentimento de não pertencer exatamente a lado nenhum, mas ao mesmo ter uma capacidade de adaptação a vários lugares. Os dois países e as duas culturas influenciam-me: Nasci lá, tenho lá família, voltei para lá com oito anos, vim para cá, depois voltei para lá com 10 e fiquei até aos 13 e, depois, dos 22 até agora tenho estado sempre lá em pequenos períodos de trabalho. Ou seja, passei lá uma parte da minha infância, uma parte da minha adolescência e uma parte da minha vida adulta, portanto é óbvio que é um país que me influencia muito. Por outro lado, o facto de os meus pais serem portugueses faz com que exista alguma coisa que me liga muito a Portugal. Mas o facto de ter família lá e de ter morado lá em fases estruturais para a formação da minha personalidade também é muito importante para a minha maneira de estar no mundo e de pensar. Eu noto, até mesmo com outras amigas e amigos que transitam muito entre os dois países, que há características nossas que às vezes se revelam mais num dos sítios. Ou seja, o contexto também te influencia: quando tu estás lá, não é que sejas uma outra pessoa, mas és influenciado a ser de certo modo, aqui é igual. Não é como se tivesses dupla personalidade, claro que não é isso, mas acabas por ser contagiado pela energia dos lugares e das culturas.

Cá [em Portugal], sentes-te no teu país de origem?

Em parte sim, mas na totalidade não.

Que parte da cultura portuguesa levas para lá e vice-versa?

As pessoas lá dizem que eu sou muito séria e muito cautelosa no trato e na maneira de falar; cá acham que eu sou muito à vontade e extrovertida. Para lá acho que posso levar um lado mais contemplativo e melancólico, que é muito típico dos portugueses; e, de lá para cá, acho que posso deixar manifestar em mim algum à vontade na maneira como lido com as pessoas e alguma descomplicação.

A primeira vez que subiste ao palco tinhas oito anos e foi numa produção da escola. Como é que isso aconteceu?

Eu fazia teatro amador e havia ali uma oportunidade de estar com pessoas mais velhas, era um meio em que eu me inseria muito porque como tinha irmãos mais velhos, acabava por me dar também com pessoas daquela faixa etária.

Em 2006, entraste nos Morangos Com Açúcar. Como foi essa primeira experiência na televisão?

Eu na altura não queria fazer porque estava a fazer o curso de teatro no Chapitô e a terminar o liceu ao mesmo tempo e achei que não devia parar de estudar um ano, ainda tive ali alguma resistência. Depois acabou por ser uma boa experiência, na medida em que me deu muita agilidade e muita estaleca. O Miguel Nunes é o meu melhor amigo, conhecemo-nos lá e portanto acabei por trazer algo para a vida.

Às vezes há algum preconceito contra ex-moranguitos. Sentiste isso?

No meu caso, não senti nada isso. Já foi há muitos anos e, portanto, é uma não questão. Tenho 31 anos e fiz os Morangos com Açúcar com 16. Como já fazia teatro e cinema na mesma altura, nunca foi um problema que se impôs.

Portanto já tinhas formação quando entraste no projeto…

Sim, quando eu entrei estava no terceiro ano do curso do Chapitô e a fazer um curso de criação de performance com a Joana Craveiro. Fazia curtas-metragens e a minha primeira longa-metragem foi logo a seguir aos Morangos.

Quando é que tiveste a certeza de que era isto que querias fazer para o resto da vida?

Aos oito anos.

Já falaste muito, tanto nesta entrevista como em outras, sobre a importância de explorar o corpo. Porquê?

Porque desde pequena que me interesso tanto pela dança como pelo teatro e o corpo é um lugar que me interessa trabalhar. Acredito que há uma liberdade enorme quando se cria alguma coisa através do movimento, seja pela abstração ou pela multiplicidade de sentidos que possa ter. É uma coisa que me dá muito prazer e é uma exploração que nunca acaba, estás sempre a trabalhar e a descobrir. Interessa-me esse lugar onde podes sempre ir mais longe.

Porquê esta diferenciação entre linguagem corporal e linguagem verbal?

Não há diferenciação. Tu podes ter um espetáculo de teatro em que não há texto ou um espetáculo de dança em que os bailarinos falam. Depois apareceu já há muito anos uma coisa chamada ‘performance’ que veio mudar tudo. Traduz-se num terreno híbrido da criação, onde são possíveis muitas linguagens artísticas. A mim interessam-me, tanto no cinema – em que sou mais atraída pela fantasia, pelo surrealismo e pelo abstracionismo –, como no teatro e no geral das artes de palco os terrenos híbridos. Eu não faço essa diferenciação, tanto que, o espetáculo Meridional vai ter atores e bailarinos e vai ser muito ligado ao movimento. Não é que o bailarino só dance e o ator só fale, isso não é uma questão. Às vezes, até mesmo em cinema, os atores falam pouco e têm um trabalho com o corpo fantástico. O que me interessa é essa pluralidade e multidisciplinaridade.

Aos 22 anos foste para Paris estudar realização de documentário. O que te levou a tomar essa decisão?

Eu queria estudar realização porque mais ou menos aos 18 anos percebi que queria também ser realizadora. Fui estudar documentário por gosto e, talvez, por fazer muita ficção como intérprete quisesse estar mais na parte do documentário. Se me perguntares se hoje em dia eu só quero realizar documentários a resposta é não, também quero realizar ficções. Mas a verdade é que, quando penso em projetos, normalmente penso em documentários. O curso era de documentário, mas o que aprendi foi sobre realização no geral. Aprendes tudo relacionado com a edição, tanto de som como de câmara. Aquela escola interessava-me porque era uma escola muito específica em termos de contacto da realização com a pessoa que estás a filmar. Fazes tudo com uma equipa muito pequena, chama-se cinema direto. As premissas do curso interessavam-me e interessava-me que fosse em Paris, uma cidade que eu gostava muito.

Sentes que estudar noutro país te deu outra bagagem?

Sim, eu acho que ir para fora, independentemente do lugar, te fazer crescer como pessoa. Lidas com mais tipos de pessoas, com outras realidades. Acho que é uma experiência muito importante e uma grande aprendizagem.

Ainda durante o curso, realizaste o documentário Chantal, que está agora disponível na plataforma Filmin, como referias há pouco. Onde é que te inspiraste para realizar esse trabalho?

Eu descobri aquele senhor, o Ali, e durante um mês entrei no universo dele, e ele, muito gentilmente, deixou-me, sem grandes entraves, filmá-lo. Aquilo que mais me interessava era a obsessão que ele tinha por um manequim. A ideia desta filme surgiu da dificuldade que eu tive de pôr em prática uma outra ideia. Aminha ideia inicial tinha que ver diretamente com a morte recente da minha avó, eu queria fazer um documentário sobre as pessoas que maquilham os mortos. Em França era, no entanto, muito difícil. Tive várias entrevistas com organismos que fazem isso, mas era mesmo complicado abordar o tema. De repente, deparei-me com aquele senhor, numa loja que parecia um aquário, uma coisa muito exótica. Ele tinha uma obsessão brutal por uma manequim, parecia que lhe queria dar vida, que a queria animar. E, portanto, embora não de maneira direta, está lá um homem que ‘maquilha’ e que tenta dar vida a um objeto inanimado, havia ali um paralelo. Por fim, a vida dele, em si, também era bastante interessante e decidi retratá-lo. Embora seja um documentário, a vida dele e a obsessão que ele tinha pela boneca era quase ficcional, por isso aquilo quase que poderia ser uma ficção. Também me interessa isso no cinema: poder jogar entre a realidade e a ficção – lá está, mais uma vez, terrenos híbridos.

Como estavas a falar, estudaste na escola de teatro do Chapitô, no Conservatório, em Paris. Dá para perceber que a formação é algo muito importante para ti. É algo em que pensas continuar a apostar?

Sim. Sempre que não estou a trabalhar e consigo encaixar, procuro fazer formações, estágios de dança, tento sempre continuar ativa nessa busca de aprendizagem. É uma coisa de que gosto muito.

Como é que vez o facto de tantas pessoas neste momento estarem a trabalhar como atores, mesmo não tendo formação?

Eu acho que tudo se prende com o talento e o profissionalismo. Se a pessoa tiver talento e for interessada e dedicada, tem espaço. Eu, pessoalmente, acho que a formação é muito importante, mas há casos de bons intérpretes que não têm formação e têm experiência profissional. Acho que o importante é as pessoas levarem isto a sério, darem o seu melhor, serem profissionais empenhados e não se acomodarem. O problema é quando as pessoas deixam de querer saber mais e dar mais e ficam ali numa zona mediana.

Isso é algo que vês com frequência no meio? Pessoas estagnarem?

Sim, há pessoas que não buscam mais. Há um bocadinho de tudo. Ainda para mais quando transitas entre muitas áreas e projetos de naturezas diferentes, acabas por te cruzar profissionalmente com pessoas que têm backgrounds e maneiras de estar na profissão muito diversas.

Neste momento estás a fazer o papel de Lara, a vilã da novela Bem Me Quer, da TVI. Esse é um lado que gostas de explorar?

A Lara, eu nem sei bem se ela é vilã. É uma questão muito delicada, é uma psicóloga que sofre de um distúrbio bipolar. Ela sofre de uma patologia psíquica. É importante perceber que este é um trabalho de muita responsabilidade, uma vez que não me interessa, enquanto intérprete, abordar este tema, esta personagem com uma questão psíquica sem me informar. Existem muitas pessoas com este quadro clínico e eu tenho a responsabilidade de, ao representar, estudá-lo. Eu fui estudar, falar com psicólogos, pessoas com bipolaridade para perceber como é. A parte de ela ser vilã ou não é relativa: a novela tem uma trama pelo meio e ela vai movida por uma vingança e, por isso, a Lara acaba por ter as atitudes que tem. Mas eu nem vejo a personagem, à partida, como uma vilã. Eu vejo-a como alguém que tem um distúrbio psíquico e que vira para um lado obsessivo e acaba por ter ações radicais, completamente fora do bom senso. Eu não sou capaz de dizer que gosto de trabalhar personalidade x ou personalidade y porque eu posso ter as linhas gerais de um personagem, mas quem constrói a sua personalidade sou eu. A mim, o que me interessa, é ter um material rico, a partir daí eu consigo galopar para outros sítios. O que importa é ter uma matéria humana para construir e trabalhar.

Já fizeste televisão, teatro, cinema, performances… Onde é que te sentes mais realizada?

O teatro é uma coisa que me acompanha desde muito criança. O cinema tenho a sorte de ter tido também várias experiências, pelo que me deixa muito à vontade. Ao ter estudado realização acabo por ter uma boa noção técnica daquilo que se passa, por isso diria que estas duas áreas são aquelas em que me sinto mais confortável.

O filme Pedro e Inês estreou agora no Brasil e a novela Ouro Verde em Angola. Como é para ti veres o teu trabalho reconhecido internacionalmente, especialmente num país que é uma casa para ti?

Fico feliz. O mundo está cada vez mais global, especialmente agora com as plataformas e é claro que é ótimo quando fazes um trabalho que tem um alcance maior. Tanto a novela como o filme foram projetos que tiveram uma enorme aceitação, não só em Portugal como nos outros países. Eu acredito que também é bom para Portugal ter produções com alcances internacionais.

Como é que a produção nacional e os atores portugueses são vistos no estrangeiro?

A ideia que as pessoas têm do cinema português é que é extremamente autoral, com uma identidade muito própria e com muita qualidade. Relativamente aos atores, aquilo que se perceciona é que é um país pequeno, mas cheio de talento.

Também já participaste em novelas brasileiras. Que diferenças vês entre as produções que fazes cá e as que fazes lá?

A dimensão, lá é muito maior. Desde o número de pessoas que a Globo emprega, aos orçamentos, ao material técnico, ao espaço que existe para se montarem as cidades cenográficas, é tudo muito maior. Consegue-se reproduzir uma favela, ou uma cidade de interior ou qualquer outra infraestrutura. Em termos de cinema, é diferente também porque as equipas são muito maiores, há muito mais gente. O que acontece muito no cinema português e europeu, no geral, é que cada pessoa faz muitas funções e, por isso, as equipas acabam por ser mais restritas. Um profissional aqui é especializado em várias coisas, é como no teatro: podes ter alguém que faz luz e encena ao mesmo tempo, um coreógrafo que também faz o figurino. No Brasil, o que eu sinto é que, para a mesma função, há vários assistentes, há muitas pessoas a fazer o mesmo trabalho. Também devido a uma necessidade do próprio país de criar emprego e fazer face ao número da população que tem.

O mundo da cultura foi particularmente afetado pela pandemia. Como vês a forma como a cultura funcionou em Portugal durante este período difícil?

Foi tudo muito mal feito. A GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas) teve um papel muito importante no que toca a socorrer alguns artistas e garantir os mínimos. A redistribuição e os apoios por parte da Ministra da Cultura não foram bem feitos, houve muita gente que ficou sem apoios. Não houve um pensamento alargado, democrático e efetivo. As medida foram feitas tardiamente e distribuídas de uma forma insuficiente.

Sobre o Mappa Mundi… É um espetáculo um pouco diferente daquilo a que as pessoas estão habituadas. É uma instalação, um género muito específico. Tem estado a ter adesão?

Sim, o Mappa Mundi é uma instalação para uma galeria de arte e há pessoas em Portugal que estão habituadas a ver aquele tipo de espetáculo e de performance. Se calhar não é o público na sua generalidade, mas é uma performance de instalação numa galeria. Correu muito bem, foi co-produzido pelo FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica), que acontece no Porto e tem muitos anos. Cá em Lisboa, estreamos no Temps D’Image, um festival que eu gosto e que programa muitas peças com várias linguagens. Esteve sempre cheio, o que não é difícil por causa das restrições. Ainda não sei se iremos repor ou não, mas, no tempo que ele existiu, fiquei muito feliz com o resultado.

Quem é a Joana fora do mundo da representação?

Sou uma pessoa curiosa, acho que é a melhor maneira de me definir. Sou uma pessoa que gosta de pessoas, de natureza, de viajar, de fotografar. Com o primeiro confinamento voltei a fazer uma coisa que já não fazia há muito tempo: voltei a pintar. Sou uma pessoa mesmo muito curiosa e acho que é isso.

Pelo que colocas nas redes sociais nota-se também que gostas bastante de natureza. Tens tempo para aproveitar e explorar esse lado?

O contacto com a natureza pode-se fazer, por exemplo, através de plantas que tenhas em casa. Quando eu vou passear, vou mais facilmente para um jardim do que para o meio de um centro comercial, tem mais que ver com isso. Claro que Nova Iorque é uma cidade fantástica, claro que São Paulo é uma cidade com uma atividade cultural brutal, mas quando eu tenho tempo para viajar vou sempre para sítios com natureza – quer seja para os Açores, que já fui seis vezes ou sete –; para locais no Brasil fora das grandes cidades, para Cabo Verde, para a Ásia… Ou até mesmo para Portugal, para o Alentejo ou para o Norte, desde que sejam recantos próximos da água e da floresta. São duas coisas muito importantes para mim, água até mais em termos de rio e de cascatas. Em vez de ir para uma esplanada no meio do Chiado, vou para uma esplanada num jardim, por exemplo. Acho que tem que ver com, com o tempo que tens, escolheres ir para onde te sentes melhor. Quando as coisas fazem parte de ti não pensas muito nelas, é onde de te sentes bem e onde precisas de estar.

Portanto, nessa dicotomia campo/cidade, escolherias o campo?

Já pensei em morar no campo. Eu cresci em muitos lugares diferentes, desde aldeias perto de montes com animais, até cidades grandes, cidades praianas. Mas sim, eu mais facilmente viveria mais tempo em contacto com a natureza do que na cidade. Há muita informação na cidade, ainda que Lisboa seja incrível pela luz, pelo rio, pela história, pelos espaços verdes, eu prefiro o campo.

Em que projetos vamos poder ver-te ver num futuro próximo?

Estou a preparar a Viúva Negra, uma série portuguesa, espanhola e americana, para a Opto. Como foi co-produzida por Espanha e pela América, depois vai ser distribuída por vários veículos e países. Depois, o espetáculo Meridional vai estrear no Teatro Micaelense, em São Miguel, e vai estar no Teatro Nacional e no Meridional.