Economia

Ryanair. Empresa volta a atacar TAP e acusa-a de bloquear slots no aeroporto

“Se nos oferecessem de graça, diríamos ‘não, obrigado’”, afirmou Michael  O’Leary em relação à hipótese de estar interessada na TAP.


O presidente da companhia aérea Ryanair acusou a TAP de bloquear slots no aeroporto de Lisboa, impedindo o crescimento de outras companhias aéreas. Este é mais um ataque contra a companhia nacional, depois de na semana passada, a empresa low-cost ter apresentado uma nova queixa sobre as ajudas à TAP no Tribunal de Justiça da União Europeia. 

É a segunda vez que a operadora irlandesa contesta as ajudas do Estado português à companhia de aviação, mas desta vez está em causa a opção do Governo português de utilizar o apoio estatal para reforçar o capital da empresa, sendo que esse auxílio financeiro servia apenas para compensar as perdas provocadas pela pandemia, questionando os mais de 450 milhões de euros injetados pelo Governo na TAP.

Agora as acusações são outras: “A TAP impede outras companhias aéreas de investir em Lisboa, bloqueando artificialmente slots no aeroporto da Portela (que apenas desbloqueia a cada semana) e que poderiam ser usados por outras companhias áreas para trazer mais rotas e mais tráfego”, afirmou Michael O’Leary, em conferência de imprensa. 

De acordo com a empresa, se a TAP libertasse slots em Lisboa, a Ryanir poderia ficar já com 200 semanais. Uma situação que não acontece nem no Porto, nem em Faro, onde não há essa limitação. “Poderíamos pôr mais aviões em Lisboa, criar mais empregos, ajudar Portugal a crescer e a recuperar da crise da covid-19 de forma mais rápida”, acrescentou.

Esta garantia surge no mesmo dia em que a Ryanair anunciou 26 novas rotas desde Lisboa, Porto e Faro e que mais três aviões terão base no aeroporto de Lisboa, passando para sete aviões no total na capital, num investimento total de 300 milhões de dólares (quase 256 milhões de euros à taxa de câmbio atual). Com esta decisão está prevista a criação de 300 novos empregos (entre pilotos, tripulação de cabine e engenheiros), garantindo que serão “empregos bem pagos”.

O responsável afirmou ainda, por várias vezes, que o investimento que a Ryanair está a fazer em Portugal acontece sem qualquer ajuda do Estado, enquanto a TAP irá receber três mil milhões de euros.

Já questionado sobre o dinheiro que a Rynair recebe de entidades públicas, Michael O’Leary não respondeu de forma precisa nem deu números exatos. No entanto, lembrou que não recebe quaisquer ajudas de Estado e que o dinheiro que recebe é de entidades de turismo, mas que são valores “muito pequenos”, referindo que numa campanha de promoção dos destinos de três ou quatro milhões de euros recebe apoio das entidades de cada região, mas que, em troca, a empresa investe na promoção dos destinos muito mais do que recebe e tem bilhetes com descontos.

Recorde-se que as críticas ao apoio do Estado têm levado a troca de acusações entre O’Leary e o ministro Pedro Nuno Santos, que tem a tutela da TAP. E ontem voltou a apontar o dedo: o Governo português tem rejeitado “intromissões e lições” da Ryanair, realçando que o investimento na TAP é “estruturante” e lamentado que a companhia irlandesa esteja a aproveitar-se de uma “situação difícil”.

Mas quando questionado sobre se a possibilidade de a Ryanair estar interessada na TAP, o gestor afirmou que não tem qualquer interesse na companhia aérea portuguesa: “Se nos oferecessem de graça, diríamos ‘não, obrigado’”, afirmou O’Leary.