Cultura

Al Capone. Uma janela para a intimidade do rei do crime

Um conjunto de documentos e objetos pessoais revela uma outra faceta do célebre criminoso. Entre eles há uma comovente carta ao filho e um relógio de bolso com 90 diamantes.

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Tornou-se quase um lugar-comum que o mais impiedoso dos mafiosos pode ser de uma ternura comovente quando se trata da sua família. Alphonse Gabriel Capone (1899-1947), o infame chefe da máfia, não fugia à regra. Conhecido por ter planeado o Massacre do Dia de São Valentim, em 1939 (em que sete membros de um gangue rival foram abatidos à plena luz do dia), por subornar políticos e por liderar o crime organizado de Chicago, Al Capone era ao mesmo tempo um pai extremoso.

Uma carta que dirigiu ao filho Sonny em outubro de 1939, quando se encontrava detido em Alcatraz, transborda de afeto. “Meu querido filho, filho do meu coração, aqui o teu querido pai, que te adora com todo o coração e orgulhoso de ter um filho tão esperto como tu...”, começa a missiva de três páginas, escrita nas vésperas de ser transferido para outra prisão por causa da saúde que se deteriorava a olhos vistos. “Dá um grande beijo à tua mãe por mim e Deus vos abençoe”. Como é bom de ver, para os mafiosos nunca houve qualquer conflito moral entre os princípios da religião e os seus atos sangrentos.

Com um valor estimado entre 25 mil e 50 mil dólares (cerca de 20mil-40 mil euros), esta carta de Alcatraz é um dos lotes em destaque de um leilão de objetos que pertenceram ao chefe da máfia que terá lugar a 8 de outubro na Witherell, de Sacramento, EUA.

“O espólio de Al Capone sobrevive como uma cápsula do tempo intocada. Quando faleceu em 1947, a sua viúva, Mae Capone, mudou-se para os aposentos dos convidados e a sua mansão de Palm Island permaneceu um santuário até ser vendida em 1952”, explica o comunicado da leiloeira. Os bens que agora vão à praça foram passados a Sonny Capone (o destinatário da carta acima citada e o único filho do casal) e depois às filhas deste, que viveram discretamente no Norte da Califórnia até a publicação do livro de memórias de Diane Capone, Al Capone: Stories My Grandmother Told Me, em 2019, os colocar sob os holofotes.

Gostos caros Os rios de dinheiro gerados pelas suas atividades ilícitas permitiram a Al Capone (que se via a si próprio como “um simples homem de negócios”) levar uma vida exuberante de luxos e mordomias. Gostava de comer bem, de fumar charutos dispendiosos, usava fatos por medida e joias caras.

Entre estes objetos que agora vão à praça – e que permitem um vislumbre da intimidade do célebre criminoso – há botões de punho, brincos, alfinetes e um relógio de bolso Patek Philippe com 90 diamantes.

Porém, a grande estrela do leilão será uma pistola Colt calibre .45 com aplicações de osso no cabo e o cano decorado, que se prevê que possa facilmente atingir os 60 mil dólares (50 mil euros). Diz-se que seria a favorita de Al Capone, embora essa afirmação possa ser contestada: afinal de contas, acredita-se que nunca tenha sido usada em qualquer crime.