Opiniao

Lábios vermelhos em Cabul

Tremem-lhes as pernas e tremelicam-lhes as barbas porque uma coligação de feministas americanas e mancebos lusitanos de lábios vermelhos prepara-se para ir ao Afeganistão meter na linha aqueles trogloditas que arrastam as mulheres pelos cabelos. As americanas serão capitaneadas por Michelle Obama, os portugueses liderados por Bruno Nogueira.


Por João Cerqueira

Parafraseando o Ministro da Aeronáutica e dos Desastres Financeiros, «até lhes tremem as pernas». Refiro-me, claro, aos Talibans em Cabul. Tremem-lhes as pernas e  tremelicam-lhes as barbas porque uma coligação de feministas americanas e mancebos lusitanos de lábios vermelhos prepara-se para ir ao Afeganistão meter na linha aqueles trogloditas que arrastam as mulheres pelos cabelos. As americanas serão capitaneadas por Michelle Obama, os portugueses liderados por Bruno Nogueira. Não se sabe se Bruno e os seus camaradas já vão de Lisboa com os lábios pintados ou se os pintam mal aterrem em Cabul. Sabe-se, sim, que as feministas americanas estão ainda mais furiosas do que é costume.

 Está pois para breve o fim dos atentados contra os direitos das senhoras, das raparigas e das meninas. Adeus às burkas, à proibição de estudar, trabalhar fora de casa, dançar, cantar e até sorrir; não mais a poligamia, os apedrejamentos, as chicotadas e serem conduzidas na rua com uma vara pelos seus donos. Enfim, ponto final à barbárie.

Os Talibans enfrentaram vitoriosamente os exércitos da União Soviética e dos Estados Unidos, mas nunca se depararam com feministas americanas e portugueses de lábios pintados. Contra este novo inimigo de pouco lhes vale as técnicas de guerrilha e o conhecimento do terreno. Pela primeira vez na sua história, vão ser atacados com armas desconhecidas: a pressão psicológica a favor das mulheres afegãs.. Depois de uma campanha nunca antes vista que quase implodia as redes sociais e de uma compra massiva de batons que esgotou os stocks das lojas dos chineses, feministas americanas e mancebos lusitanos vão envergonhar os Talibans perante o mundo no seu próprio país.

Antevejo já os repórteres da CNN a filmar o desembarque das feministas e dos lábios pintados, a sua marcha triunfal pelas ruas de Cabul gritando palavras contra a opressão das mulheres (elas) e cantando a Grândola Vila Morena (eles), os Talibans de início estupefactos, depois amedrontados e, por fim, a fugirem a sete pés para as montanhas. Na euforia que se segue, as mulheres afegãs começam a queimar as burkas, as feministas americanas exigem que queimem também os soutiens e os lábios vermelhos tentam encontrar algum tasco onde haja cerveja e tremoços. Entretanto, aterra também em Cabul o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, e apela ao diálogo – mas é  confundido com um pastor evangélico.

E quando tudo parecia acabar bem, eis que começam os verdadeiros problemas. Corridos os Talibans, as feministas americanas começam a olhar de soslaio para os portugueses de lábios vermelho. Estes, tendo conseguido encontrar alguma cerveja e haxixe de alta qualidade, começam a estabelecer relações diplomáticas com as moças afegãs e estas engraçam-se com as graças de Bruno e companhia. As feministas americanas deitam fumo pelas orelhas.

What the f… is this? Ai, ai, ai a nossa vida!

De supetão, compreendem que estes homens de lábios vermelhos continuam a ser homens – logo, inimigos. E dentre todos os homens, nenhuns causam maior aversão às feministas do que os ocidentais. Os Talibans, apesar de alguns pecadilhos, nunca tinham colonizado ninguém, nem poluído o planeta. Estes portugueses, sim, andaram a colonizar meio mundo, a oprimir mulheres de todas as cores e a gerar mestiços.

 Chegara a altura de lhes dar uma lição.

É então que as feministas americanas decidem ajustar contas à moda americana. Michelle Obama, com a classe que se lhe reconhece, dirige-se a Bruno Nogueira e desafia-o para um combate de Wrestling. Bruno, com duas moças afegãs a fazerem-lhe festinhas na barbicha, não lhe apetece nada lutar, mas não dá parte de fraco. Pede um batom emprestado, retoca os lábios e aceita o desafio. Entretanto, o povo afegão divide-se: as mulheres e os transsexuais apoiam Bruno, os homens estão com  Michelle. Um líder Pashtun é designado árbitro. A CNN transmite o combate para todo o mundo.

Num ringue improvisado, ela apresenta-se vestida de Wonder Womam; ele com um traje da Mocidade Portuguesa. Porém, como Bruno Nogueira não é Telma Monteiro, a luta termina depressa. Michelle pega-o pelos fundilhos e lança-o para fora do ringue. Bruno voa alguns metros e aterra no colo de Guterres -  amortecendo assim a queda. As feministas americanas dão pinotes e proclamam a superioridade da mulher sobre o homem, os lábios pintados estão entretidos com as suas namoradas afegãs e não se ralam com o resultado e apenas Bruno e Guterres ficam atarantados na Cabul liberta da opressão Taliban.

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