Desporto

Rúben Semedo em pesadelo nos tribunais

Futebolista foi libertado com uma fiança de 10 mil euros, mas continua acusado de violação de uma menor. Jogador terá recebido uma mensagem intimidatória antes da queixa.


A vida não está nada fácil para Rúben Semedo, antigo jogador do Sporting CP, que foi detido na passada segunda-feira, em Atenas, por, alegadamente, ter violado uma jovem de 17 anos. 

Rúben Semedo, de 27 anos, acabou libertado na quinta-feira, depois de ter sido ouvido pelo Tribunal Central de Atenas durante cerca de duas horas, sob uma fiança de 10 mil euros. «Acredito que a inocência do meu cliente foi provada. Existem contradições entre os depoimentos e isso foi levado em consideração para a decisão dos juízes. Não houve indícios de violação», referiu Marizana Kiriki, a advogada do futebolista luso, à saída do tribunal.

Nesse mesmo dia, revelou a imprensa grega, os exames forenses não terão revelado qualquer sinal de violação, hematomas ou lesões nos genitais da alegada vítima, e a equipa legal do jogador manteve firme a defesa da sua inocência.

Por entre as provas apresentadas pela equipa legal de Semedo está uma mensagem de texto que o defesa-central terá recebido antes de ter sido feita a queixa da alegada violação. «Boa sorte na prisão! Dás-me 15 mil euros e não digo nada», pode-se ler na mensagem em questão, segundo noticiou o Greek City Times.

À porta dos tribunais gregos, Semedo não poupou nas declarações aos jornalistas. «Estou inocente e vão ver isso. Quando for absolvido, espero que também estejam aqui. É tudo por causa de dinheiro. Se eu não fosse futebolista, nada disto estaria a acontecer», gritou o futebolista, a 30 de agosto, e as declarações repetiram-se nos dias seguintes.

Rúben Semedo é acusado de, em conjunto com um outro indivíduo que foi ouvido pelos tribunais na sexta-feira, ter violado uma jovem de 17 anos na sua residência em Glyfada, nos arredores de Atenas, seguindo uma queixa feita pela mesma na polícia.

Na quinta-feira, quando foi decidida a libertação do jogador do Olympiacos sob uma fiança de 10 mil euros – sem nenhuma medida restritiva –, Rúben Semedo tinha já falado com os jornalistas antes de entrar nos tribunais. «Não se preocupem, amigos. Vão ver [como estou inocente]», disse, na altura, repetindo a declaração à saída do tribunal.

Segundo noticiou a imprensa grega, Rúben Semedo acabou por evitar a prisão preventiva graças ao incumprimento dos requisitos legais para que o mesmo acontecesse. Em causa esteve a audição ao central de 27 anos, onde o mesmo defendeu que as relações sexuais com a jovem ocorreram com o consentimento de todos, para além de que a mesma terá afirmado ter 19 anos de idade e não 17 como soube mais tarde.

Encontros com a lei

Esta não é, no entanto, a primeira vez que Rúben Semedo tem problemas com a Justiça. Em 2018, o então jogador do Villareal esteve detido preventivamente durante 142 dias, no âmbito de um outro caso ocorrido em Espanha, acabando condenado a uma pena de prisão de cinco anos, suspensa na sua execução por oito anos, pelos crimes de sequestro, agressão e ameaça, que o impediram também de entrar no país.

E este não foi um caso único. Já em novembro de 2017, o futebolista se tinha envolvido em nova polémica, depois de uma noite numa discoteca espanhola, por ter apontado uma arma de fogo a um dos empregados desse estabelecimento noturno.

Entretanto, o clube grego onde atua Rúben Semedo – o Olympiacos, orientado pelo treinador português Pedro Martins – emitiu um comunicado no dia da detenção mantendo distanciamento em relação ao envolvimento do jogador em alegada vioalação. O clube salientou «a presunção de inocência de qualquer arguido» e salvaguardou que «enquanto estiver pendente a instrução do processo penal relativo ao jogador Rúben Semedo, o clube não se manifestará».