Internacional

Afeganistão sem música, desporto feminino ou protestos

Apesar da promessa de uma liderança mais moderada, os talibãs proibiram manifestações não aprovadas pelo executivo.


Depois de banirem a música nos primeiros sete dias no poder, agora, os talibãs aumentaram o nível de repressão no Afeganistão, proibindo as manifestações e slogans que não foram aprovadas pelas autoridades.

Esta é a primeira lei decretada por Sirajuddin Haqqani, o novo ministro do Interior, que é procurado pelo FBI, após ter fundado o grupo ‘Haqqani Network’, que combatia as tropas ocidentais no Afeganistão.

Haqqani alertou que os opositores devem solicitar uma permissão antes de organizarem protestos ou enfrentarão “consequências legais graves”, cita o Guardian.

A medida foi oficializada após vários confrontos violentos entre talibãs e manifestantes em diversas cidades afegãs desde que o grupo chegou ao poder.

Esta terça-feira, em Herat, duas pessoas morreram e oito ficaram feridas, informou à AFP um médico que pediu anonimato.

As proibições por parte dos talibãs foram anunciadas na mesma semana que foi revelado o novo governo. Apesar das promessas de que o gabinete teria em conta a diversidade e propostas mais inclusivas, este foi formado exclusivamente por homens e as medidas até agora implementadas não revelam qualquer tipo de moderação, muito pelo contrário.

Ainda esta semana, foi anunciado que as mulheres estão proibidas de praticar desportos uma vez que isto abre a possibilidade de o seu corpo ou rosto ficar descoberto.

A proibição inclui o críquete, a principal modalidade do Afeganistão.

“Não acho que as mulheres possam jogar críquete porque não é necessário. É possível que, em certos momentos, o rosto e corpo não estejam cobertos. O islamismo não permite que as mulheres sejam vistas desta forma”, disse o responsável pela comissão cultural do Afeganistão, Ahmadullah Wasiq.

 “Na era dos media em que vivemos, em que há fotos e vídeos de tudo, as pessoas iriam assistir a isso. O Islão e o Emirado Islâmico não irão, por isso, permitir que as mulheres joguem críquete ou qualquer outro desporto em que possam surgir expostas”, explicou Wasiq.

 

Cerca de 200 estrangeiros abandonam Afeganistão

Pela primeira vez desde a retirada dos soldados norte-americanos no final de agosto, foi permitida a saída de estrangeiros de Cabul, o que levou cerca de 200 pessoas a embarcar, esta quinta-feira, num avião comercial em direção ao Qatar.

Responsáveis do Qatar citados pela agência noticiosa norte-americana Associated Press indicaram que entre 100 e 150 cidadãos dos Estados Unidos fazem parte daquele grupo.

Segundo a agência Reuters, os talibãs foram pressionados para permitir estas partidas pelo representante dos Estados Unidos, o diplomata Zalmay Khalilzad, revelou um oficial americano, que pediu para a sua identidade ser mantida em segredo. Espera-se que, esta sexta-feira, outro avião ajude os estrangeiros a abandonar o país.