Politica

Matosinhos. Candidatos de todas as cores políticas

Em Matosinhos, a lista de candidatos é longa, e todos têm projetos, ideias e críticas a fazer à gestão de Luísa Salgueiro, que conquistou a câmara em 2017 com as cores do PS, e quer dar continuidade ao seu mandato.

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Matosinhos é um dos maiores concelhos do país, e, como tal, são muitos os candidatos que pretendem subir ao lugar de autarca neste município costeiro, lado a lado com o Porto. A simbiose entre ambos é importantíssima para este concelho, que vive dos serviços e da indústria, mas também das praias de Matosinhos e Leça da Palmeira, para onde milhares fogem assim que o sol se mostra de forma um pouco mais intensa.

À frente da autarquia está, neste momento, a socialista Luísa Salgueiro, que chegou à presidência da câmara no ano de 2017, depois de 12 anos ao serviço do PS na Assembleia da República, e que se tornou na primeira mulher a tomar as rédeas deste concelho.

Nas mãos da atual autarca – e dos candidatos ao lugar – estão vários temas fraturantes da realidade matosinhense, com grande destaque para os efeitos colaterais do fecho da refinaria da Galp, passando pelos despedimentos em massa e as decisões sobre os terrenos da Petrogal. Há anos também que os autarcas deste município usam como bandeira eleitoral o “enterramento” da linha de Metro que cruza o centro da capital do concelho, causando alguns problemas de mobilidade.

Sobre a questão da refinaria da Galp, no entanto, Luísa Salgueiro propõe a criação de um gabinete de gestão do Fundo de Transição Justa, um instrumento financeiro da União Europeia que pretende agilizar os processos de compensação às pessoas e economias que vão sofrer diretamente com os impactos da política de descarbonização.

Corrida colorida Praticamente todas as cores políticas estão representadas nas eleições autárquicas à Câmara Municipal de Matosinhos, onde Luísa Salgueiro é recandidata com as cores do PS, enquanto a coligação PSD/CDS  ‘Matosinhos O Futuro é Agora’ tem como cabeça de lista Bruno Pereira. 

Presentes estão também o BE (Carla Silva), a CDU (José Pedro Rodrigues), o Chega (Israel Pontes), o PAN (Nuno Pires) e a IL (Humberto Silva).

A campanha tem sido intensa, e não se safou de alguma polémica. Na noite de sábado, 11, os cartazes alusivos à campanha de Sabrina Rodrigues, candidata do Chega à Junta de Freguesia de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo, foram vandalizados após, segundo a candidatura afirma, “um dia”.

Independentes abundam Se as cores políticas tradicionais estão em peso nestas eleições, o que não falta são também movimentos independentes. António Parada, que em 2013 foi candidato com as cores do PS, criou o movimento SIM em 2017, com o qual alcançou 15,17% dos votos. Agora, Parada volta a ser candidato, com o mesmo Movimento de Cidadãos Eleitores.

Novidade é, no entanto, o movimento Matosinhos Independente, liderado por Joaquim Jorge, biólogo e fundador do Clube dos Pensadores.

Propostas

Criação de um gabinete de gestão

Luísa Salgueiro quer criar um gabinete de gestão do Fundo de Transição Justa, um instrumento financeiro da União Europeia que pretende agilizar os processos de compensação às pessoas e economias que vão sofrer diretamente com os impactos da política de descarbonização. A ideia é apoiar os trabalhadores da refinaria de Leça da Palmeira.

Enterrar o metro

As linhas de metro que passam pelo centro de Matosinhos são, em certos locais, um obstáculo à mobilidade na cidade, ou pelo menos assim o acusa Bruno Pereira, candidato do PSD à autarquia. Desta forma, o mesmo sugere que as linhas do metro sejam “enterradas”, de forma a evitar o cruzamento com vias rodoviárias.

Matosinhos digital

O movimento Matosinhos Independente, liderado por Joaquim Jorge, propõe a criação de um portal digital dedicado a uma variedade de serviços: “Renovar a carta de condução; consultar as receitas médicas; apresentar reclamações; fazer a declaração de renda; impugnar uma multa de trânsito; mudar a morada do domicílio” são só algumas das indicadas pelo movimento. 

Fim da recolha privada de lixo

A CDU, que tem como candidato José Pedro Rodrigues, quer pôr fim ao contrato para recolha do lixo que a autarquia assinou com uma empresa privada. Os comunistas pretendem que este serviço seja “prestado diretamente pela Câmara Municipal de Matosinhos, única forma de assegurar a qualidade e o desempenho de um sistema moderno, eficiente e adequado a todas as necessidades”, conforme se lê nas redes sociais da candidatura.

Retrato do concelho

De olhos postos no Atlântico Norte, Matosinhos tem várias facetas, desde as inúmeras incubadoras de empresas até às praias e restaurantes que deleitam os portuenses e outros visitantes nos meses do Verão.

9

É o número de vereadores do município.

Abstenção e votos em branco

•  Em 2017, 47,13% dos matosinhenses inscritos não votaram nas eleições autárquicas.

•  Em branco votaram 2914 pessoas, o que equivale a 3,64%.

1.338€

Era o ganho médio mensal de um trabalhador por conta de outrem em Matosinhos, em 2019.

172.699

É o número de pessoas que vive no concelho de Matosinhos, segundo dados dos Censos 2021.

3

É o número de estabelecimentos de Ensino Superior.

350 mil euros

É o valor investido num projeto de micromobilidade, que trouxe ao concelho de Matosinhos 200 trotinetes elétricas com baterias amovíveis.