Internacional

Diretor da OMS diz-se farto de promessas e exige vacinação equitativa no mundo

"Não queremos desculpas, não queremos promessas, queremos vacinas", apela Tedros Adhanom Ghebreyesus.


O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou-se, mais uma vez, desapontado com a falta de equidade na distribuição das vacinas contra a covid-19 no mundo. Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, tem havido "muita conversa", mas "muita pouca" ação.

"Não queremos desculpas, não queremos promessas, queremos vacinas", disse, de forma assertiva, num debate promovido pela Amnistia Internacional, à margem da 48.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O responsável fez questão de lembrar que o organismo a que preside foi fundado com base na ideia de que a saúde é um direito humano, mas que no entanto se está neste momento “no meio de uma pandemia e com milhões de pessoas sem acesso às vacinas que podem levar ao fim deste pesadelo mundial".

"As pessoas estão a morrer, quando não deviam estar. Tem havido muita conversa sobre a vacinação equitativa, mas muito pouca ação", lamentou o diretor da OMS.

"Os países e as empresas que controlam o fornecimento global de vacinas parecem pensar que o resto do mundo deve contentar-se com sobras", criticou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O mesmo tom crítico foi usado pela secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, que sublinhou: "As pessoas estão a morrer à frente dos nossos olhos".

"Dezenas de milhares de pessoas estão a morrer todas as semanas. Estamos a ser cúmplices de uma violação em massa dos direitos humanos", acrescentou, lamentando que, apesar de saber qual a solução, todos “parecem paralisados".

Para Agnès Callamard, é tempo de os governos e as empresas farmacêuticas a reverterem "o escândalo da desigualdade" da distribuição de vacinas no mundo.