Brasil presente

Mudanças na Igreja

A Igreja de São Francisco, no conjunto arquitetónico da Pampulha, em Belo Horizonte, reconhecido pela Unesco, é um marco da arquitetura moderna e da obra de Oscar Niemeyer


Por Aristóteles Drummond

A Igreja de São Francisco, no conjunto arquitetónico da Pampulha, em Belo Horizonte, reconhecido pela Unesco como património cultural, é um marco da arquitetura moderna e da obra de Oscar Niemeyer, que foi autor do projeto nos anos 1940. Ocorre que Niemeyer e o grande pintor Cândido Portinari, autor dos azulejos e da Via Sacra, eram comunistas. A Igreja não obedeceu a norma do Vaticano de que o terreno deve ser aprovado e consagrado pela autoridade eclesiástica e ser construída pela Diocese ou uma Ordem Pontifícia. Por isso, apesar de sua importância artística, ficou 14 anos sem ser reconhecida pela Igreja, pois o Arcebispo D. Cabral não a consagrou para cultos. O que só veio a ocorrer nos anos 1950, depois de muita polémica. Niemeyer, apesar de ateu, foi o autor da Catedral de Brasília, construída por JK, mas dentro dos protocolos do Vaticano. Agora, o Arcebispo D. Walmor, que é uma das lideranças do chamado ‘clero progressista’, obteve a elevação da capela a Santuário, o que será formalizado na próxima semana, nos festejos franciscanos. D. Walmor é um entusiasta das posições do Papa Francisco. O projeto é uma obra de referência na arquitetura do século passado, um cartão postal da capital mineira.
 
Variedades 

• Afinal, a CSN de Benjamin Steinbruch ficou com as cimenteiras da Holcim no Brasil, passando a ser o segundo grupo do país. A produção é de seis milhões de toneladas, o que dará ao grupo uma produção superior a 15 milhões de toneladas, considerando produtos conexos. A operação teria sido em torno dos 250 milhões de euros equivalentes. 

• A surpreendente retratação do presidente Bolsonaro, com pedido de desculpas assinado em nota oficial e um telefonema intermediado pelo ex-presidente Michel Temer, deu uma trégua na crise política. As especulações da semana ficaram por conta das avaliações da duração da trégua, considerando o temperamento especial do presidente. A famosa frase do dramaturgo francês do século XVIII Philippe Destouches – «afaste a natureza que ela voltará a galope» – tem sido lembrada pelos políticos. Afinal, o Supremo Tribunal tem muitas ações do interesse do governo, do presidente e dos seus familiares para serem definidas no curto prazo.

• Até o final da semana, a CPI do Senado vai liberar seu relatório. Os exageros provocados pelo radicalismo político poderão favorecer o governo quanto à negligência e ao negativismo na pandemia, com acréscimos fantasiosos. Não houve compra de vacina a preços exorbitantes, mas uma proposta que não foi aceita. Logo, os senadores da oposição perderam credibilidade com estes desvios do foco, que seria a pandemia. O país sabe que a corrupção com as verbas da pandemia foi nos estados e nas câmaras.

• Mais uma semana sem se tratar do que interessa: a retomada do emprego.

• Dois indicadores preocupantes na economia: inflação dos 12 meses chegando a 10% e possibilidade de se desligar máquinas de hidroelétricas relevantes por falta de água. E o avanço do dólar em função da intranquilidade política encarece a energia que usa petróleo ou gás. 

• O brasileiro Jorge Paulo Lemann, que está na lista de um dos homens mais ricos do mundo, acionista relevante de empresas como a Ambev, cervejeira internacional, do Burger King e outras, está investindo na educação de qualidade no Brasil. Com recente incorporação o seu braço na educação, Eleva, atingiu 120 mil alunos. 

• A TAP se tornou uma espécie de bandeira brasileira para a Europa, com seus voos de diferentes cidades, que chegaram a 70 por semana. Agora, com as aberturas, o movimento cresce, mas sem estrutura no país, tudo sendo feito via digital. E em Lisboa acabou a sala para os passageiros Gold, ao lado do check-in da classe Executiva. Azul e Ibéria ganhando espaço. Uma pena! 

• Um dos efeitos da globalização é que não só as boas práticas chegam logo aos quatro cantos do mundo. As péssimas também. Entre elas, o orçamento paralelo das cidades pela via da leonina fiscalização dos estacionamentos de rua pagos e emissão de penalidades. Mas quem paga mais do que o infrator é o comércio de rua. Os consumidores fogem para grandes superfícies com espaços com estacionamento. O rigor se justifica nas grandes cidades. Nas menores e, principalmente, nas de presença de turistas ou residentes não habituais, o comércio é penalizado. 

• Em meio às polémicas decisões monocráticas dos ministros da Suprema Corte, mais uma, desta vez de Edson Facchini, que deu regime semiaberto do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que tinha dez milhões de euros equivalentes, em notas num imóvel. O mesmo Juiz negou a domiciliar a um ex-deputado que estava doente e morreu dias depois da negativa. Depois tentou levar de volta à prisão outro ex-deputado, que está com 90 anos de idade, precisando de cuidados especiais. Muita incoerência num só juiz. 

• O Rock in Rio, daqui a um ano, vai empregar 28 mil pessoas e está com ingressos vendidos em 70 países. O criador, Roberto Medina, é um apaixonado pelo Rio de Janeiro. 

• Pandemia perde força. A média de óbitos cai para menos de 500 por dia. O Rio tem problemas com a variante Delta. Mas andou faltando vacinas para a terceira dose. A negligência do governo leva as estas chocantes quase 600 mil mortes até agora. Liberar para oferta privada seria a solução mais eficiente e transparente. No Brasil e no resto do mundo.

Rio de Janeiro,setembro de 2021