Sociedade

Alzheimer Portugal faz campanha para promover conhecimento

Estima-se que existam em Portugal 205 mil pessoas com demência e 60 a 70% dessas com Alzheimer.


A Associação Alzheimer Portugal lançou uma campanha que incentiva os portugueses a partilharem experiências para memória futura, “com o objetivo de promover um maior conhecimento sobre as Demências e, em especial, sobre os fatores de risco modificáveis e as estratégias que todos nós podemos implementar para reduzir o risco de desenvolver Demência”, lê-se no site da associação.

Para marcar o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer - assinalado a 21 de setembro -, a Alzheimer Portugal irá desenvolver durante a próxima semana na sua página de Facebook cinco “experiências” com vista a ajudar os portugueses a tomar conhecimento de estratégias que podem ser implementadas de modo a promover uma melhor “saúde do nosso cérebro”.

Em comunicado, o neurologista e presidente da Comissão Científica da Alzheimer Portugal, Celso Pontes, explica que a demência não é algo natural e que surge com a idade, como muitos pensam, sendo que é possível evitá-la ou adiar os sintomas e a sua progressão, especialmente em “pessoas que fizeram mais estudos e que têm maior atividade intelectual”. Daí, a importância de cuidar do cérebro.

Catarina Alvarez, psicóloga e responsável pelas Relações Internacionais da associação acrescenta ainda que se conhecem “hoje vários fatores de risco associados às demências que podem ser minimizados se forem adotadas estratégias adequadas, relacionadas com um estilo de vida saudável e com a estimulação intelectual e social”.

O presidente da associação adianta que não é conhecido o número exato de pessoas com demência em Portugal, mas os dados permitem estimar que sejam cerca de 205 mil casos, “sendo a doença de Alzheimer cerca de 60 a 70% destes”.

“A incidência, para Portugal, seria de 19,9 por mil habitantes. Para uma população de dez milhões, daria cerca de 199.000, o que seria próximo do número estimado, e dá-nos uma ordem de grandeza do problema”, esclarece Celso Pontes.

Projeções publicadas recentemente pela Alzheimer Europe apontam para que, em 2050, as demências afetem perto de 350.000 pessoas em Portugal.

Em Espanha, segundo a Fundação Pascual Maragall, citada pela agência Efe, a doença de Alzheimer é responsável por 75% das demências, sendo que esse número pode duplicar até 2050 se não forem encontrados tratamentos.

No mesmo país, a demência gera custos de 24 mil euros por doente, com 87% das famílias dos doentes a assumirem estes custos. A fundação Pascual Maragal estima que a doença tenha um custo anual de 21 milhões de euros.

Catarina Alvarez afirma que é necessário aumentar a literacia dos portugueses sobre o tema e alerta para um estigma que ainda persiste e contribui para o atraso nos diagnósticos.