Opiniao

Como nasce um naturista


por António Maria Coelho de Carvalho
Ex-controlador de tráfego aéreo e quadro da MDF Tramagal

Se não me tivesse curado de uma tuberculose pulmonar aos 20 anos, sem tomar qualquer antibiótico, não estaria a escrever este artigo... Tive alta médica num sanatório do Caramulo em novembro de 1948. Alguns dos meus vizinhos e amigos não tiveram a mesma sorte e morreram novinhos. Outro amigo e condiscípulo no Gil Vicente, em Lisboa, escapou e emprestou-me o primeiro livro em português, do Dr. Fred Wachsman, naturista alemão refugiado da Guerra. Gostei de o ler e pensei que, se seguisse os seus conselhos, talvez pudesse chegar a 2000.

São Pedro não deve ter lido o meu pensamento e, 21 anos depois, ainda aqui estou, velho, ignorante q. b. mas curioso e ainda com cabeça e forças para me indignar, apesar das maleitas crónicas e de estimação que me vão distraindo...

Entretanto, a homeopatia curou-me de artrites nos dois joelhos e nos ombros e controlo a diabetes só com algum cuidado na alimentação e apesar de fazer pouco exercício.

A minha curiosidade levou-me a descobrir que a medicina atualmente exercida nos países ditos civilizados, vacinas incluídas, se baseia, quase exclusivamente, nas teorias de Pasteur.

A partir dos fins do séc. XIX, milionários americanos e ingleses aproveitaram as ideias de Pasteur para criarem a indústria farmacêutica e combaterem com múltiplos remédios os sintomas das doenças que afligiam a humanidade. Muitos anos mais tarde, descobriram-se os antibióticos que aparentemente salvaram milhões de pessoas, mas com custos ainda não totalmente apurados. Agora já se sabe que vivem em harmonia com o nosso corpo muitos milhões de bactérias indispensáveis à nossa saúde e que têm sido afetadas pelos antibióticos.

 

Um cientista contemporâneo de Pasteur, Antoine Béchamp, publicou, no entanto, estudos que contrariavam Pasteur e desmentiam as suas ideias de que os micróbios eram os promotores das doenças infecciosas. Segundo Béchamp a causa das doenças é o desequilíbrio, o enfraquecimento do corpo do paciente, do ‘terreno’ como lhe chamava, e os ‘germes’ que se associam às doenças, são ‘germes’ amigos que têm a seu cargo a limpeza das células e tecidos doentes ou já mortos.

Béchamp está assim na linha de pensamento de Hipócrates, resumido nos aforismos ‘Mente sã em corpo são’ e ‘Somos aquilo que comermos’ seguidos pelos médicos das medicinas alternativas. Quando os vejo achincalhados e/ou silenciados por políticos, colegas, cientistas, especialistas e até ‘comentaristas’; ofendidos publicamente, em livros, nos jornais e na televisão, sem que haja o cuidado de, pelo menos, o Governo, a RTP ou uma qualquer entidade com autoridade para tal, promover debates públicos sobre o que são, em cada uma das perspetivas, o colesterol, a diabetes, a obesidade, a demência, o enfarte, o AVC e o cancros, a maneira de os prevenir e tratar, tenho que ficar indignado. A ignorância da população é confrangedora e ‘transversal’. Continuamos sem ninguém nos ajudar a ter saúde para não adoecer...

Falta vontade política, para promover um debate público, urgente, consistente e demorado, para mudar o paradigma de Pasteur que dura há um século. Não faltam médicos, nem enfermeiros, o que temos é uma influente indústria farmacêutica, interesses corporativos e doentes a mais.

Não tenho a mínima autoridade para julgar as teorias de Pasteur ou Béchamp, mas julgo-me no direito de divulgar que:

• em documentos credíveis, Pasteur foi acusado de ser intelectualmente pouco honesto;

• sobre a obra de Béchamp foi lançado um espesso manto de silêncio;

• até mesmo o nome de Béchamp não aparece em nenhum livro ou compêndio de medicina ou biologia;

Basta no entanto ir à Wikipédia para descobrir como foi considerado em vida:

Pierre Jacques Antoine Béchamp, nasceu em 1816 e morreu com 91 anos. Químico e biólogo francês mais conhecido por ter sido rival de Louis Pasteur, Mestre em Farmácia, Doutor em Ciências, Doutor em Medicina. Oficial de Educação Pública, Cavaleiro da Legião de Honra, Comandante da Rosa do Brasil...

Porque foi riscado da História? Porque não foram exploradas as suas teorias à luz do atual conhecimento científico?

Estou a ler um livro muito interessante O que é a Vida? de Paul Nurse, Prémio Nobel. Pois até este Prémio Nobel me parece não ter lido Béchamp!

Mistérios que abrem a porta a muita especulação, mas cujo esclarecimento já não será no meu tempo.

Finalizando as minhas indignações:

1. O Governo, o SNS e a Ordem dos Médicos, não disseram uma única palavra na TV a aconselhar o reforço do nosso sistema imunitário individual, o que terá provocado sofrimento e mortes evitáveis.

2. Tanto quanto eu sei, os sistemas imunitários dos utentes dos lares também não foram reforçados, pelo menos, com alimentação adequada, bom ar, Sol ou vitamina D. Quantos terão morrido por isso?

3. O Governo, o SNS e a Ordem dos Médicos patrocinaram uma campanha mais do que tóxica, emética, sobre a vantagem das vacinas, sem nada dizer das suas limitações e dos seus possíveis perigos a longo prazo.

4. Um pré-estudo israelita, de agosto de 2021, traz as seguintes conclusões:

This study demonstrated that natural immunity confers longer lasting and stronger protection against infection, symptomatic disease and hospitalization caused by the Delta variant of SARS-CoV-2, compared to the BNT 1621b2 two-dose vaccine-induced immunity. Individuals who were both previously infected with SARS-CoV-2 and given a single dose of the vaccine gained additional protection against the Delta variant.

Esperemos que seja considerado pelo SNS !

5. A comunicação social, salvo raras exceções, serviu de megafone acrítico às campanhas do governo.

6. Já se tornou visível a promoção de novos remédios para complementar os efeitos das diversas vacinas, porque a indústria farmacêutica não se resume às multimilionárias fabricantes de vacinas.

7. Nada se conheceu das consequências dos processos disciplinares movidos contra alguns dos médicos do Movimento Médicos pela Verdade.

8. Não podemos comprar em Portugal, nem importar do Brasil livros de autores reconhecidamente competentes, mas divulgando terapêuticas alternativas.

9. Numa noite de insónia passada em março de 2020 num hospital, lembro-me de ter pensado: ‘Porque é que não há, no SNS, consultas por médicos das medicinas alternativas legalizadas?’.

10. Onde está na SAÚDE, a Liberdade e a Igualdade tantas vezes arvoradas em Bandeiras da Democracia que temos?

Tramagal, 4 de setembro de 2021

 

coelhocarvalho1928@gmail.com