Cultura

"Ninguém está a salvo"

Johnny Depp criticou a ‘cultura do cancelamento’, que, na sua opinião, ‘está fora de controlo’ e frisou que ‘ninguém está a salvo’ dos julgamentos ‘instantâneos’.


Esta não é a primeira vez que Johnny Depp aborda a questão da ‘cultura do cancelamento’, tendo admitido ao The New York Times que o seu trabalho no cinema está a ser boicotado por Hollywood, devido às acusações de violência doméstica da ex-mulher, Amber Heard.

Já na quarta-feira, em conferência de imprensa, momentos antes de receber o prémio Donostia da 69.ª edição do Festival de Cinema de San Sebastián, o ator norte-americano disse ainda que para ser ‘cancelado’ basta «uma frase». «Estes movimentos que surgiram, imagino que com a melhor das intenções, saíram do controlo e eu posso afirmar: ninguém está a salvo. Nenhum de vocês está a salvo, desde que alguém esteja disposto a dizer qualquer coisa. Basta uma frase, não precisa de fundamento, e o tapete é puxado, deixa de haver chão. Não aconteceu só comigo. Já aconteceu com muita gente».

A entrega do prémio Donostia a Johnny Depp foi bastante criticada. A Associação Espanhola de Mulheres Cineastas e de Meios Audiovisuais (CIMA, sigla em castelhano), condenou a escolha do ator devido às acusações e aos julgamentos que ainda decorrem por violência doméstica.

No entanto, após a CIMA questionar que «mensagem deseja passar a direção do Festival de San Sebastián” ou se “as acusações de uma mulher não são dignas de confiança», o diretor do festival lembrou que «Depp não foi detido, acusado ou condenado» e alertou contra «o linchamento nas redes sociais».