Sociedade

"[Fuga] foi ato de legítima defesa". João Rendeiro não volta a Portugal para não ser preso

Rendeiro diz que o tornaram "bode expiatório de uma vontade de punir os que, afinal, não foram punidos"


O ex-presidente do BPP João Rendeiro, condenado na terça-feira a prisão efetiva num processo de burla qualificada, assumiu que não vai voltar a Portugal e que o transformaram num “bode expiatório”.

"No decurso dos processos em que fui acusado efetuei várias deslocações ao estrangeiro, tendo comunicado sempre o facto aos processos respetivos. De todas as vezes regressei a Portugal. Desta feita não tenciono regressar. É uma opção difícil, tomada após profunda reflexão", escreve o ex-banqueiro num texto publicado no blogue Arma Crítica.

"É uma pena manifestamente desproporcionada, em que verifiquei ter sido condenado em função de um critério dito de prevenção criminal geral por virtude dos escândalos bancários que não se verificavam à data dos factos e não poderiam retroagir contra mim. Tornei-me bode expiatório de uma vontade de punir os que, afinal, não foram punidos", acrescenta.

Rendeiro chega mesmo a dizer que a sua ausência do país é "um ato de legítima defesa contra uma justiça injusta" e que não se sujeitará a esta situação de condenação "sem resistência".

"Recorrerei às instâncias internacionais, pois há um Direito acima do que em Portugal se considera como sendo o Direito. Lutarei pela minha liberdade para o poder fazer", termina o ex-presidente do BPP.

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