Economia

Montepio. Grupo de quadros diz que é "possível inverter rumo de desvalorização contínua dos ativos"

A candidatura “Valorizar o Montepio” colocou em causa as contas da Associação Mutualista Montepio um dia antes da reunião extraordinária da Assembleia Geral de Associados. Contudo, sublinha que é “possível inverter o rumo de desvalorização contínua dos ativos” e apela “à participação e à votação favorável”.

 


A candidatura ‘Valorizar o Montepio’ afirmou, esta quarta-feira, que as contas da Associação Mutualista Montepio “revelam incapacidade para valorizar a Instituição”, mas considera que é “possível inverter o rumo de desvalorização contínua dos ativos”. De sublinhar que se realiza amanhã a reunião extraordinária da Assembleia Geral de Associados para a apreciação das Contas Consolidadas de 2020.

“As contas consolidadas do Grupo Associação Mutualista Montepio, respeitantes ao ano de 2020, apresentam resultados líquidos negativos de 86 milhões de euros. Estes resultados espelham a reiterada incapacidade da administração vigente para procurar vias de valorização dos ativos da Associação”, começa por dizer a candidatura liderada por Pedro Gouveia Alves, em comunicado.

Segundo a candidatura, “os capitais próprios do Grupo Associação Mutualista, atribuíveis aos associados, caíram praticamente 100 milhões de euros (de 182 para 84 milhões de euros)” devido à “própria Associação, que caiu 33 milhões de euros”, ao “Banco Montepio, que caiu 124 milhões de euros”, e à “Holding de Seguros, Montepio Seguros, que engloba a Lusitania, Lusitania Vida e Futuro, que viu o seu Capital Próprio crescer em 40 milhões de euros, devido a valorizações de efeito não recorrente”.

Na nota, a candidatura lembra que “o Banco Montepio representa 86% do total do Ativo da Associação Mutualista, sendo os principais restantes compostos pelas Seguradoras, Gestoras de Ativos, Residências Montepio, Carteiras de Títulos e Imóveis” e que, desde 2018, quando Virgílio Lima e Tomás Correia foram reconduzidos em novo mandato, os “Capitais Próprios da Associação Mutualista Montepio caíram praticamente 160 milhões de euros (de 243 para os agora apresentados 84 milhões de euros)”.

No entanto, na ótica dos membros da candidatura é “possível inverter esta situação”, uma vez que a mesma “está empenhada na valorização do património dos Associados”. “É possível inverter este rumo de desvalorização contínua dos ativos da Associação Mutualista com medidas concretas, de que se evidenciam apenas algumas das que farão parte do programa da candidatura ‘Valorizar o Montepio’”, sublinham.

Para tal, “será necessário que, no legítimo papel de acionista, sejam emitidas orientações claras às respetivas equipas de gestão das empresas participadas” no sentido de rever a “Estratégia das principais empresas do Grupo”, de “resolver definitivamente o tema dos Ativos Improdutivos do Banco, que tanto penalizam os resultados”, de “incrementar a atividade de venda cruzada de produtos e serviços do Grupo” e de “definir uma política clara e medidas concretas de valorização de imóveis que a Associação Mutualista possui em carteira”.

Deste modo, “a candidatura ‘Valorizar o Montepio’ apela à participação e à votação favorável, apenas e exclusivamente por lealdade institucional de modo a não bloquear o normal funcionamento da Associação Mutualista Montepio, o que consequentemente prejudicaria todos os Associados”.