Politica

Rio perde paciência com Ângelo Correia

Líder do PSD estava às escuras sobre processo de substituição do CEMA e entrou em rota de colisão com o seu porta-voz para a Defesa.


O caso da substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Mendes Calado, pelo vice-almirante Gouveia e Melo não gerou apenas equívocos entre a Presidência da República e o Governo. Também no PSD provocou danos colaterais, com o líder do partido, Rui Rio, a perder a paciência com a agenda paralela do coordenador para a área da Defesa do seu Conselho Estratégico Nacional, Ângelo Correia.

O presidente dos sociais-democratas estava completamente às escuras relativamente ao que estava acordado desde há meses entre Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, o ministro João Cravinho e os próprios Mendes Calado e Gouveia e Melo. E foi apanhado completamente de surpresa pelas notícias sobre a alegada exoneração do CEMAe sua substituição pelo agora ex-coordenador da task force para a vacinação contra a covid-19. Rui Rio entrou em rota de colisão com o seu porta-voz para a Defesa – e antigo ministro da Administração Interna – quando soube que este, nunca o tendo informado sobre o assunto, também estava a par do que se estaria a passar e, inclusivamente, articulara informação com o próprio ministro socialista. A gota de água, para Rui Rio, foi ver o seu porta-voz para a Defesa, Ângelo Correia, prestar declarações públicas e comentar o caso na televisão (TVI) em moldes  contraditórios com o que a representante do grupo parlamentar social-democrata defendeu noutra estação de televisão (SIC) precisamente sobre o mesmo assunto.

O facto de Ângelo Correia ter uma agenda paralela em relação deixa Rui Rio sem alternativa.

No PSD ninguém assume oficialmente esta rutura entre o líder do partido e o seu porta-voz para a Defesa.
«Há uma coisa que o Senhor Presidente sabia e eu também sei: é que, quando o senhor Almirante Mendes Calado foi convidado, não foi para ficar por mais dois anos», disse Angelo Correia na TVI24.

Confrontada pelo Nascer do SOL com a divergência entre as afirmações de Ângelo Correia e Ana Miguel dos Santos, a direção do PSD preferiu justificar com uma «falha de comunicação» entre o porta-voz do Conselho Estratégico e a representante do grupo parlamentar.