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OE2022. BE ameaça voto contra caso documento não inclua medidas do partido

Mariana Mortágua acusou a falta de inclusão das medidas apresentadas pelo BE para o Orçamento do Estado para 2022, e afirmou votar contra na generalidade, caso o Partido Socialista não abra o leque de opções.

OE2022. BE ameaça voto contra caso documento não inclua medidas do partido

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, em Lisboa, depois da conferência de imprensa do ministro de Estado e das Finanças de apresentação do Orçamento do Estado para 2022, Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda (que votou contra o Orçamento do ano passado), deixou claro que o partido votará contra na generalidade sobre a proposta de Orçamento para 2022, a não ser que as negociações com o PS permitam uma maior abertura aos bloquistas. Em causa está, defendeu a bloquista, o facto de a proposta socialista não incluir as medidas e as soluções que o Bloco colocou "em cima da mesa".

"A decisão do voto na generalidade será baseada nas propostas que entretanto serão negociadas pelo PS, e o que analisaremos é se houve ou não uma aproximação a essas propostas. Se se mantiver o estado atual das coisas, dificilmente haverá condições de viabilizar o Orçamento do Estado", disparou a bloquista, que acusou a proposta de Orçamento de "não ter uma estratégia" e de fazer "remendos", para além de "não incluir as prioridades que o Bloco elencou".

A título de exemplo, Mariana Mortágua referiu a reforma do IRS apresentada pelo Executivo de António Costa, que prevê um valor de 205 milhões de euros. "Só a medida dos escalões em 2018 valia 230 milhões de euros. Até pode chegar a alguns milhões de famílias, mas o seu impacto em cada família é muito reduzida”, atacou a deputada bloquista, que reiterou a opinião do partido que "a prioridade devia ser o desagravamento dos impostos indiretos, através do IVA da eletricidade, que carrega tanto nos orçamentos de tantas famílias, sobretudo as mais pobres".

Este Orçamento, acusou Mariana Mortágua, é um Orçamento "do Governo do Partido Socialista", e, portanto, disse, reflete "as prioridades do Partido Socialista". “Não é legítimo que se diga que é resultado das negociações com o Bloco de Esquerda”, acrescentou ainda, acusando a exclusão das medidas propostas pelo Bloco do documento. 

A deputada defendeu ainda acreditar que "o Governo tem vindo a confundir o inconfundível". "Apresenta os dados da função pública confundindo os aumentos do salário mínimo com aumentos à taxa de inflação, novas contratações que são para substituir trabalhadores que entretanto saíram com progressões na carreira que já estavam decididas antes com novas medidas de progressão na carreira [...] 44% de tudo o que é gasto da função pública em 2022 retorna ao estado na forma de impostos. São 450 milhões da função pública nas várias medidas, quase metade volta ao Estado. Parece-me incorreto apresentar sempre estes valores sem nunca referir o retorno de receita", concluiu ainda a bloquista.

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