Economia

PIB. Católica aponta para crescimento abaixo das previsões do Governo

Governo acredita que economia deverá crescer 4,8% este ano, mas Universidade Católica aponta para um aumento do PIB de 3,7%. 


A Universidade Católica prevê que a economia cresça 3,7% este ano, abaixo da previsão de 4,8% do Governo na proposta orçamental. Já no terceiro trimestre, as previsões do núcleo de estudos acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 1,5% em cadeia (face ao trimestre anterior) e 2,9% face ao mesmo trimestre de 2020. No terceiro trimestre “o nível de atividade da economia portuguesa terá sido o maior desde o início da pandemia e das políticas de confinamento introduzidas em março de 2020”, tendo operado a economia a 95,6% do nível do 4.º trimestre de 2019, antes da crise pandémica.

Números diferentes face aos que foram apontados pelo Fórum para a Competitividade que, aponta para um aumento do PIB entre 2% e 4% em cadeia no terceiro trimestre e entre 3,5% e 5,5% em termos homólogos. A entidade liderada por Ferraz da Costa lembra que, nesse período, na indústria foram registadas quedas de produção “também potenciadas por outros dois problemas, que marcaram o trimestre: a subida dos preços da energia e os constrangimentos à produção pela escassez de componentes”.

Já a em relação ao total do ano, o cenário central de crescimento do PIB da Católica é estimado em 3,7%, mais 0,2 pontos percentuais do que a previsão anterior, o que é justificado pela “melhoria recente dos serviços e exportações, que colocaria a economia portuguesa a operar no limiar dos 95% do nível de 2019”, mas “pior do que o antecipado anteriormente em resultado das revisões que o Instituto Nacional de Estatística introduziu nos dados no final de setembro”.

No entanto, deixa um alerta: a incerteza é grande “pelo que o crescimento este ano poderá oscilar entre 3,2% e 4,2% em função da intensidade das limitações à atividade económica e da dimensão do apoio orçamental às empresas e famílias mais afetadas pela crise”.

Também o Fórum para a Competitividade tinha apontado para incertezas. Os próximos meses, de acordo com a entidade liderada por Ferraz de Costa, não são animadores ao lembrar que o quarto trimestre “inicia-se sob a ameaça subida dos preços da energia e o final das moratórias, num ambiente de recuperação internacional e nacional com algumas limitações”. E acrescenta: “Algumas empresas foram fortemente afetadas pelo preço da energia, mais grave em Portugal, que apresentou, em setembro, o 2.º preço da eletricidade da Europa continental e 15% acima da média”. 

Recorde-se que proposta orçamental, entregue na segunda-feira à noite na Assembleia da República, o Governo prevê que a economia portuguesa cresça 4,8% este ano. Já para 2022 a previsão do Governo é de um crescimento da economia de 5,5%.

Os dados da Católica esperam, em 2022, um crescimento de 4,3%, o que seria equivalente a 99% da atividade económica de 2019. Já em 2023, admitem que o crescimento deverá abrandar para cerca de 2% devido às esperadas medidas de consolidação orçamental “como forma de reduzir a dívida pública para níveis sustentáveis a médio e longo prazo”.

Quanto ao desemprego, a taxa deverá ficar abaixo dos 7% este ano, com um cenário central de 6,7%, refere a Católica. Em 2022, deverá descer para 6,2%. Ainda assim, avisa, “poderão ocorrer aumentos temporários no desemprego, relacionados com o ajustamento do mercado de trabalho após a forte intervenção pública a que foi sujeito”.