Economia

Combustíveis. Gasolina 98 aditivada supera dois euros por litro

Preço ultrapassa os dois euros por litro em alguns pontos do país.


O preço dos combustíveis não para de subir e esta quarta-feira já foi superada a 'barreira' dos dois euros por litro no caso da gasolina 98 aditivada. Este é o preço mais elevado de comercialização de combustíveis em Portugal e as partilhas de revolta nas redes sociais já se multiplicaram.

No site Mais Gasolina, onde é possível ver os preços em todo o país, o alerta foi dado: “Gasolina 98 aditivada já custa mais de 2 euros por litro em alguns postos de abastecimento em autoestradas e IP”.

Um dos exemplos é a Repsol da A1, em Vila Nova de Gaia, onde o preço deste combustível por litro é 2,029 euros. Mas não é o único local. O mesmo acontece no Campo Grande ou em Évora.

Os dados mais recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia mostram que o preço médio da gasolina simples 95 está nos 1,717 euros por litro, enquanto o do gasóleo ronda os 1,518 euros por litro.

A direção da Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) já reagiu a este valor histórico e afirmou que já se reuniu de emergência “para debater a atual situação que afeta de forma devastadora o setor”. E garantiu: “Da reunião ficou claro, o profundo desagrado, de todo o setor, com o Governo”.

Além disso, a associação decidiu alterar o tema do congresso anual – que se realizará nos próximos dias 29 e 30 de outubro – “de forma a que o mesmo seja centrado na análise e discussão do aumento dos custos com os combustíveis, e desta forma, dar voz ao universo associativo e, em conjunto, definir as medidas necessárias para responder a esta crise e garantir que setor seja finalmente ouvido”.

Também a Associação Rodoviária de Transportadores Pesados de Passageiros (ARP) já tinha alertado que o setor pode entrar em falência ou passar a abastecer em Espanha face ao aumento do preço do gasóleo e pediu a intervenção do Governo.

Proposta O Governo tem sido apontado como um dos responsáveis por este resultado, uma vez que, a carga fiscal nos combustíveis ronda os 60% do preço final. No entanto, o Executivo tem afastado a ideia de uma a descida de impostos e optou por propor uma lei com vista a limitar as margens dos preços dos combustíveis, um mecanismo que pretende que seja “dissuasor”, mais do que permanente. 

Nessa altura, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) chegou a alertar que os revendedores de combustíveis ameaçaram “encerrar temporariamente os postos de abastecimento” como forma de protesto a esta lei.

Questionada agora pelo i sobre como está essa intenção, a Anarec justifica que “houve efetivamente um grupo considerável de associados que manifestou, junto da Anarec, a possibilidade de encerrar temporariamente os postos de abastecimento de combustíveis a nível nacional, como forma de protesto, caso esta medida venha efetivamente a ser implementada e se revele penalizadora das atividades dos revendedores”.

Apesar de ainda nada estar decidido, a associação presidida por Francisco Albuquerque alerta que “a revenda está desgastada e desmotivada com tanta ingerência do Governo na sua área de negócio”. E acusa: “Em nenhum outro setor assistimos a tamanha intervenção por parte da tutela. Depois de termos a fixação de preços máximos do GPL engarrafado, durante o estado de emergência, pretende agora a tutela fixar as margens máximas na gasolina e gasóleo simples, bem como no GPL engarrafado. Para não falar da proibição da venda de bebidas alcoólicas que vigorou durante mais de um ano”, diz ao i Francisco Albuquerque, que não tem dúvidas: “os empresários estão cansados e revoltados, e pensamos que foi isso que os motivou a manifestar esta intenção junto da nossa associação”.

Sobre se existem datas marcadas para esta possível paralisação, a Anarec diz que “não” uma vez que “o que existe é a manifestação dessa possibilidade, como forma de protesto”. E garante que “naturalmente que é sempre possível recuar, se houver diálogo e verdadeiro interesse em ouvir as reivindicações dos players do mercado, o que infelizmente não se tem verificado nos últimos tempos”.