Opiniao

Independentes pela democracia

A incapacidade de atrair novas pessoas que representem verdadeiramente as suas comunidades, a total indisponibilidade de aproximar e ouvir os melhores de cada área, impedem que, em conjunto, se consiga dar o salto qualitativo que os territórios precisam e que as suas comunidades merecem.


Por Pedro Escada

Consultor, empresário

Os partidos políticos e a “bolha”social em que se encontram é uma característica transversal a todos eles, que os precipita para um afastamento da realidade em seu redor. Nas últimas eleições autárquicas, provou-se novamente este facto e em muitos concelhos e freguesias por esse País fora, ouviram-se bem alto as vozes de descontentamento para com esta forma de estar na política. Este afastamento das verdadeiras preocupações das pessoas e dos seus anseios para a comunidade que integram é um fenómeno que fere a democracia e descredibiliza as instituições. A política partidária local vive normalmente apenas dos seus próprios interesses e sobrevive, essencialmente, à custa do caciquismo. Habitualmente existem vários grupos, o que por vezes os torna em organizações igualmente autofágicas…

Essas lutas, muitas delas nada têm a ver com lutas democráticas legítimas, isto é, o confronto de projetos, o debate ideológico ou mesmo visões diferentes para o futuro da comunidade, mas apenas como conquista e manutenção do seu “pequeno” poder.

A incapacidade de atrair novas pessoas que representem verdadeiramente as suas comunidades, a total indisponibilidade de aproximar e ouvir os melhores de cada área, impedem que, em conjunto, se consiga dar o salto qualitativo que os territórios precisam e que as suas comunidades merecem.

A participação ativa de forma organizada e motivada de cidadãos em movimentos políticos independentes locais, constitui uma verdadeira revolução no sistema partidário tal qual o conhecemos. Tem com certeza origem na insatisfação generalizada da população com os partidos tradicionais, mas configura-se como meio para regenerar o sistema.

Em Portugal, o aparecimento de Movimentos Autárquicos Não-Partidários ocorre desde 2001 e tem vindo a aumentar, mesmo com os partidos políticos colocando cada vez mais entraves à sua participação. 

São movimentos discordantes do funcionamento atual dos partidos políticos, mas apoiados pela sociedade civil e refletindo as suas aspirações. Constituem formas de sucesso diferentes. Pois o sucesso transcende o grupo em si e tende a ser o sucesso de toda a comunidade.

Na generalidade, os movimentos políticos de cidadãos traduzem e apelam à regeneração da democracia e do sistema partidário tradicional. Pois, sem sombra de dúvidas, é isso que as pessoas querem, uma democracia informada, participada e  transparente em que todos contem para Idealizar um futuro melhor.