Economia

Santander. Lucro cai 32,3% para 172,2 milhões nos primeiros nove meses

Nesse período, o banco reduziu o pessoal em 638 postos de trabalho (de 6.077 pessoas para 5.439). E em cima da mesa continua a intenção de fazer um despedimento coletivo de mais 210 trabalhadores.


O lucro do Santander Totta caiu 32,3%,para 172,2 milhões de euros, nos primeiros nove meses do ano. "Os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano registaram uma redução homóloga superior a 30%. Embora se registe uma recuperação de comissões – originadas pelo aumento da transacionalidade dos nossos clientes – assim como uma descida dos custos, a margem financeira manteve a trajetória de queda verificada nos últimos trimestres, condicionada pelo atual nível das taxas de juro de mercado", explicou a instituição financeira em comunicado. 

O produto bancário ascendeu a 1.025,7 milhões de euros, subindo 6,4%% e os custos operacionais diminuíram 1,8%, totalizando 422,0 milhões de euros, pelo que o resultado de exploração subiu 13,0% e o rácio de eficiência diminuiu 3,4pp, para 41,1%."O produto bancário está bastante influenciado por proveitos de natureza não recorrente resultantes da gestão da carteira de títulos, já que a evolução das receitas recorrentes de natureza comercial continua afetada por um contexto adverso, fruto da conjuntura económica incerta no contexto de pandemia e sobretudo da manutenção das taxas de juro negativas", revela a entidade liderada por Pedro Castro de Almeida.

Já a margem financeira ascendeu a 558,5 milhões de euros, equivalente a uma descida de 5,6% face ao período homólogo, "evolução que continua a refletir os baixos níveis de taxas de juro de curto prazo e a sustentada redução dos spreads de crédito, num enquadramento concorrencial que permanece bastante competitivo". 

As comissões líquidas totalizaram 315,7 milhões de euros, um crescimento de 15% face ao mesmo período de 2020, "que reflete o aumento dos níveis de transacionalidade dos clientes, num contexto de reanimação económica, e a estratégia de diversificação dos recursos com maior foco em fundos e seguros financeiros, bem como na distribuição de seguros autónomos de risco", acrescenta o banco.

Os custos operacionais, que totalizaram 422,0 milhões de euros, no final dos primeiros nove meses de 2021, reduziram 1,8% em relação ao período homólogo, e resultam das variações de -2,8% nos custos com o pessoal, de +0,1% em gastos gerais administrativos e de -3% em amortizações.

Nesse período, o banco reduziu o pessoal em 638 postos de trabalho (de 6.077 pessoas para 5.439). E em cima da mesa continua a intenção de fazer um despedimento coletivo de mais 210 trabalhadores.

A imparidade líquida de ativos financeiros ao custo amortizado ascendeu a -101,4 milhões de euros, continuando a refletir a incorporação da componente forward looking do cenário macroeconómico, como patente nas diferentes projeções realizadas por instituições nacionais e internacionais, que evidenciam uma recuperação gradual da atividade, embora diferenciada entre setores de atividade.

"A qualidade creditícia permanece sólida, materializada numa redução do rácio de NPE para 2,3% em comparação com 2,8% em setembro de 2020. As provisões líquidas e outros resultados incluem encargos extraordinários relacionados com a implementação do plano de transformação do Banco, incluindo a otimização da rede de agências e investimentos em processos, digitalização e tecnologia, com a consequente redução do número de colaboradores. O resultado antes de impostos e interesses minoritários ascendeu a 246,7 milhões de euros, correspondendo a uma redução homóloga de 29,3%", salienta.

A carteira de crédito ascendeu a 43,5 mil milhões de euros, subindo 2,2% face ao valor registado no período homólogo.

"No decurso do terceiro trimestre, o banco manteve sólidos volumes de originação de novo crédito hipotecário e às empresas, materializada em quotas de mercado consistentemente acima de 20%", lembrando que, em 30 de setembro, terminou a moratória legal de crédito, abrangendo crédito hipotecário e a empresas no montante de cerca de 6 mil milhões de euros. Os clientes retomaram o normal cumprimento dos seus planos de pagamentos, sem implicações sobre a qualidade creditícia, mas requerendo o habitual seguimento nestas fases de ajustamento e após um período de moratória tão extenso como o aplicado em Portugal (até 18 meses, no caso da moratória legal)".

O crédito à habitação atingiu 21,6 mil milhões de euros, o que representa uma subida de 5,9% em termos homólogos, e o crédito ao consumo, no montante de 1,7 mil milhões de euros, registou um decréscimo de 0,8% em relação a setembro de 2020, refletindo a redução da despesa discricionária das famílias. Nos primeiros nove meses do ano, o Banco originou cerca de 2,5 mil milhões de euros em hipotecas, com uma quota de mercado de 21,3% (média dos oito primeiros meses do ano).

O crédito a empresas atingiu 16,5 mil milhões de euros, diminuindo 0,5%, em virtude do decréscimo ocorrido em grandes empresas.