Sociedade

Ex-presidente da Junta de Freguesia de Arroios constituída arguida após buscas

A ex-autarca e antiga presidente da Abraço está a ser investigada por suspeitas de peculato e participação económica em negócio.


A Junta de Freguesia de Arroios foi ontem alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ) e do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, acabou por confirmar à Lusa fonte oficial, depois de vários meios de comunicação terem avançado a notícia.

Em causa estão, avançou a Sábado, “alegados crimes económico-financeiros e usufruto pessoal de bens públicos” cometidos durante a gestão socialista de Margarida Martins, que esteve à frente daquela Junta de Freguesia durante dois mandatos, servindo como presidente, de 2013 a 2021, e que acabou por ser constituída arguida, suspeita de ter cometido crimes como peculato, peculato de uso e participação económica em negócio, durante o exercício de funções públicas.

Ao mesmo tempo, RTP e Público davam conta de “eventuais crimes económico-financeiros e usufruto pessoal de bens públicos por parte de Margarida Martins” como razões por trás das buscas na Junta de Freguesia lisboeta.

Margarida Martins, que conquistou notoriedade como porteira da discoteca Frágil, no Bairro Alto, e foi co-fundadora da Associação Abraço, chegou à presidência da Junta de Freguesia de Arroios em 2013, que geriu durante dois mandatos, até acabar derrotada nas recentes eleições autárquicas, de 26 de setembro, altura em que foi recandidata ao cargo pela coligação “Mais Lisboa” (PS/Livre), encabeçada, a nível municipal, por Fernando Medina.

Investigação Recorde-se que, em setembro deste ano, ainda antes das eleições autárquicas, já a revista Sábado tinha publicado uma reportagem visando Margarida Martins, onde se dizia que a então presidente da Junta de Freguesia de Arroios terá, alegadamente, sido apanhada a receber produtos e bens dos vendedores do Mercado 31 de Janeiro, em Arroios, sem os pagar, e para uso pessoal, enquanto utilizava funcionários e viaturas da Junta para depois levar esses bens até o seu domicílio. Nessa mesma reportagem, a revista revelava a penhora de um terço salário da autarca, bem como a hipoteca da sua casa, em 2018, por parte da Segurança Social devido a uma dívida de 47 mil euros.

Casa alvo de buscas Além das instalações da Junta de Freguesia de Arroios, também o domicílio de Margarida Martins foi alvo de buscas, durante a passada quarta-feira. A Sábado deu conta das buscas em casa da ex-autarca, na Praça das Águas Livres, em Lisboa, “por parte de cinco elementos da PJ”. “Os inspetores saíram do local cerca das 12h41 com um saco de material. Pouco depois, pelas 12h50, Margarida Martins saiu da sua residência e entrou num táxi”, relatava a revista.

Buscas O DIAP de Lisboa lidera a investigação sobre os eventuais crimes económico-financeiros em questão, alegadamente cometidos por Margarida Martins, e revelou que “a Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, procedeu à execução de 10 mandados de busca, sendo três domiciliárias, e sete não domiciliárias, e realizou uma busca autorizada, visando a recolha de documentação relacionada com suspeitas de práticas criminosas, sob investigação”.