Politica

Mais uma baixa. António Pires de Lima vai deixar CDS-PP

O antigo ministro da Economia justificou a sua saída com as decisões que foram tomadas no Conselho Nacional, na quinta-feira, ao sublinhar que o CDS "bateu no fundo" e que não tem "intenção de votar" no presidente Francisco Rodrigues dos Santos. 


O ex-ministro da Economia no governo PSD/CDS, António Pires de Lima, vai desfiliar-se do CDS-PP. O anúncio foi feito durante uma entrevista à SIC Notícias, este sábado, na qual o economista explicou que as 48 horas seguintes ao Conselho Nacional levaram-no a repensar a sua presença no partido, manifestando a sua incapacidade de votar no atual presidente do partido, Francisco Rodrigues dos Santos.

“Não estou em condições de recomendar a ninguém o voto no líder, não tenho intenção de votar nele. Voto no CDS desde os 18 anos e pela primeira vez quero chegar às legislativas com a liberdade de votar em quem entender no espaço da direita democrática”, afirmou Pires de Lima.

Segundo o antigo vice-presidente de Paulo Portas, “o partido bateu no fundo. Isto é o fim da linha”, ao assinalar a “degradação da vida democrática dentro do partido” notada nos últimos tempos da liderança de Francisco Rodrigues dos Santos. 

Para Pires de Lima, a decisão aprovada em Conselho Nacional é “a maior desqualificação dos militantes do CDS”, “que nunca tinha acontecido no passado”. “Não desejo o fim do meu partido. Sinceramente não tenho condições interiores para continuar a ser militante depois do que se passou nas últimas 48 horas”, apontou ainda Pires de Lima. 

António Pires de Lima junta-se à lista de militantes que decidiram sair do partido este sábado. Adolfo Mesquita Nunes foi o primeiro a declarar o afastamento do CDS e ao longo do dia mais nomes foram revelando também a vontade de abandonar o partido: Michael Seufert, ex-líder da JP, Vânia Dias da Silva, Inês Teotónio Pereira e Manuel Castelo-Branco. Já o deputado João Almeida anunciou que vai deixar o Parlamento.

Estas saídas devem-se ao Conselho Nacional, reunião que permitiu a Francisco Rodrigues dos Santos adiar o congresso do partido para ir a legislativas, evitando passar primeiro pelas eleições internas, às quais o eurodeputado Nuno Melo é candidato.