Economia

Chumbo do OE “não é propriamente um dilúvio”, alerta Bagão Félix

Já em relação à aplicação do regime provisório de duodécimos defende que “não tem só desvantagens”.


O economista e antigo ministro Bagão Félix considera que o chumbo do Orçamento “não é propriamente um dilúvio”, lembrando que “é tão legítimo democraticamente aprovar um orçamento como não o aprovar”, disse em entrevista à Antena1/Jornal de Negócios.

Já em relação à aplicação do regime provisório de duodécimos defende que “não tem só desvantagens”.

Tal “significa que o Governo nos próximos meses vai estar mais contido do lado da despesa”, mas do lado da receita “poderá continuar a funcionar e é provável que, embora admitindo já que a não aprovação do orçamento pode retirar alguma percentagem de crescimento no PIB [Produto Interno Bruto] – tem essas consequências laterais, mas que também são importantes – o que é certo é que no atual contexto um regime provisório limitado de duodécimos é uma maneira de diminuir o défice”, argumentou o economista.

Apesar dos duodécimos, Bagão Félix considerou que “os investimentos não vão ser muito prejudicados”, até porque “pode haver adiantamentos ou outra forma de gerar despesa sem ser despesa ainda, portanto, gerar ativos se quiser”, apontou. Por exemplo, o aumento do capital de uma empresa pública, como a CP, “para ela reduzir o passivo”.

Bagão Félix também considerou que o investimento decorrente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não será afetado. “Nada disso é prejudicado e, nesse sentido, o primeiro-ministro até pode dizer que é uma das razões por que não se demite”, considerou.