Vida

Will Smith revela que considerou matar o próprio pai

Ator fala sobre infância traumática em novo livro.


Will Smith confessou que pensou em matar o próprio pai, Willard Smith, devido à violência doméstica que este exerceu sobre a sua mãe, Caroline Bright, quando ainda era criança.

A revelação do ator surge num novo livro de memórias, que será lançado no próxima dia 9 de novembro, e ao qual a revista People tece acesso. Na obra, Will Smith recorda alguns momentos traumáticos vividos com o pai, que morreu em 2016, e fala sobre a relação abusiva que o progenitor tinha com a sua mãe.

“O meu pai era violento, mas ele também estava em todos os jogos, peças e recitais. Ele era alcoólico, mas estava sóbrio em todas as estreias de cada um dos meus filmes”, lembra. “Ele ouvia todas as gravações. Visitou todos os estúdios. Com o mesmo perfeccionismo intenso com que aterrorizava a sua família, colocava comida na mesa todas as noites da minha vida”, desabafa.

O ator acaba por recordar um momento de violência doméstica que presenciou em casa, quando era criança. "Quando tinha nove anos, vi o meu pai soquear a minha mãe na lateral da cabeça com tanta força que ela desmaiou. Vi-a cuspir sangue. Aquele momento, naquele quarto, provavelmente mais do que qualquer outro momento da minha vida, definiu quem eu sou”, sublinha.

“Dentro de tudo o que fiz desde então - os prémios e elogios, os holofotes e a atenção, os personagens e as risadas - houve uma subtil série de desculpas à minha mãe pela minha inércia naquele dia. Por falhar com ela naquele momento. Por não ter conseguido enfrentar o meu pai. Por ser um cobarde”, lê-se.

O ator conviveu com o pai depois disso, mas o trauma regressou enquanto cuidava do progenitor, quando este foi diagnosticado com cancro. “Uma noite, enquanto eu delicadamente o empurrava do seu quarto em direção à casa de banho, uma escuridão surgiu dentro de mim. O caminho entre os dois quartos passa pelo topo das escadas. Quando era criança, sempre disse a mim mesmo que um dia vingaria a minha mãe. Que quando fosse grande o suficiente, quando fosse forte o suficiente, quando eu não fosse mais um cobarde, iria matá-lo”, recorda.

“Fiz uma pausa no topo das escadas. Eu poderia empurrá-lo para baixo, e facilmente sair impune. À medida que as décadas de dor, raiva e ressentimento recuavam, eu balancei a cabeça e continuei a levá-lo para a casa de banho”, acrescentou.

Sublinhe-se que Willard Smith foi engenheiro e veterano do exército dos Estados Unidos. O pai do ator morreu em 2016, pouco depois de ser diagnosticado com cancro.