Editorial Luz

Bruxas, unicórnios e o gato do futuro

Entretanto, a abóbora voltou para a panela e a sopa do dia alerta para o encerramento oficial do Halloween. Que por cá ninguém precisa de tradição para ter mais um motivo para festejar - e havendo poder de escolha, sejamos honestos, mais vale borrar a pintura propositadamente.


Dia das Bruxas, Fábrica de Unicórnios e, assim como quem não quer a coisa, só faltava ser possível pedir ao Pai Natal o Doraemon, o famoso gatinho de animação capaz de tirar da bolsinha ao estilo kanguru a solução para todos e quaisquer problemas. Mas não, nem será preciso ir tão longe: o Gato do Futuro permanece na sua vida e deixaria apenas à nossa disposição uma das suas super-tecnologias. Pensando no imediato, pode dar jeito a famosa nuvem capacete, que permitia ao inocente Nobita caminhar descansado pela rua apesar das chuvas e trovoadas que se faziam sentir ao seu redor. Há uns anos, o chapéu voador também seria um best-seller, mas com tanta inovação já anunciada para um futuro próximo, não que se tenha tornado obsoleto, mas derrapou vários lugares na lista de itens mais desejados. 

Entretanto, a abóbora voltou para a panela e a sopa do dia alerta para o encerramento oficial do Halloween. Que por cá ninguém precisa de tradição para ter mais um motivo para festejar - e havendo poder de escolha, sejamos honestos, mais vale borrar a pintura propositadamente.

Já sabemos também que a magia do Halloween se prende unicamente com o facto de não haver feitiço para identificar bruxas entusiastas que gostam de estar ao serviço o resto do ano.

Mas nem tudo é mau. Se por um lado as máscaras cirúrgicas foram momentaneamente ultrapassadas por disfarces, goste-se ou não esta é talvez a única altura do ano em que pelo menos somos questionados sobre o nosso destino.  

É que as doçuras ou travessuras andam habitualmente de mãos dadas e na maior parte do tempo aparecem sem pré-aviso.

Hora de ir comer a sopa, já a arrefecer. E no final da refeição um rebuçado, que a desculpa que oferecemos a nós próprios para comprar mais um saco é sempre a mesma, como se as eventuais (e garantidas) sobras se tratassem de um sacrifício.

E os papelinhos provam que a quantidade devorada em poucos minutos é assustadora, um patamar que não deixa de ser interessante na ressaca do Halloween.