Brasil presente

O preço dos combustíveis


Por Aristóteles Drummond

O mundo, que sofre a influência relevante dos socialistas ou populistas, debate, neste momento, a alta dos preços do petróleo envolvendo o que é cobrado ao consumidor. Demagogia pura. Afinal, a composição dos preços, em economias supostamente de mercado, é fruto de um mix do preço do barril – que oscila sempre –, transporte, refino, distribuição e impostos. Apenas os poucos países de alta produção, como os do Golfo e os EUA, podem praticar preços menos vinculados às cotações internacionais. Os impostos costumam ser altos pela facilidade de cobrança, como na energia elétrica, no gás, nas telecomunicações. Formam o grupo A de contribuintes, o que garante recursos para os pagamentos fixos dos estados. É assim em todo mundo.

O Brasil, embora com produção teoricamente suficiente para seu consumo, exporta e importa óleo, uma vez que parte significativa de sua produção é de óleo pesado, que pede uma mistura para o refino.

O Presidente Bolsonaro quer fazer política com os preços, tentando fugir às regras pétreas do mercado. Intervenção nos preços é característica, catastrófica por sinal, dos governos sem compromissos com a realidade. A Argentina, neste momento, começa a enfrentar problemas de abastecimento dos mais de mil produtos de preços congelados pelo Governo.

Tudo decorre da desonesta exploração da falta de informação de parcela da população destes países e da busca de uma popularidade no curto prazo. Mas a conta chega.

VARIEDADES

• O Nubank, um dos maiores bancos digitais do mundo, colocou ações no mercado dos EUA e passou a valer mais do que o Itaú Unibanco, o maior privado brasileiro. Aliás, proliferam bancos digitais no Brasil.

• A Petrobras apresentou um forte lucro no trimestre, encerrado em 30 de setembro, e deve pagar dividendos para reforçar o Tesouro Nacional. As ameaças de intervenção na política de preços dos combustíveis andam prejudicando o papel nas bolsas.

• Os jogadores brasileiros indicados para a seleção dos 30 melhores do mundo jogam quase todos fora do país. Gabigol, o goleador do Flamengo, é o único que joga no Brasil. E tem sido alvo de hostilidades por não ter feito gols nas duas derrotas recentes do clube.

• A volta do cultivo do algodão já faz o Brasil ser o quinto produtor mundial e o segundo exportador. A previsão é que passe a terceiro nos dois próximos anos, quando ultrapassar três milhões de toneladas. O algodão é plantado com a soja e hoje apenas em um quinto da área plantada.

• Divisão do Brasil inclui o jornalismo na televisão. Enquanto a Globonews só ataca o Governo, a JPNews, que estreou semana passada, só defende o Governo. A CNN Brasil tenta ser imparcial.

• Feriados de Todos os Santos e Finados tiveram ocupação de 80% nos hotéis do Rio de Janeiro, apesar do tempo chuvoso. E pela falta de voos, quase todos de brasileiros. Mas este mês e o próximo marcam a volta de muitas empresas internacionais. O carnaval já está com mais de 70% de reservas no Rio e em Salvador.

• A desvalorização do Real foi a maior entre os países em desenvolvimento como México, África do Sul, Rússia. A moeda brasileira perdeu mais de 30% para o Euro e o Dólar, enquanto a média dos demais países não chegou a 6%. O medo da volta da esquerda, a inflação interna, os gastos públicos são os motivos.

• Para variar a viagem de Bolsonaro a Itália gerou polÉmica. E mostrou evidente isolamento em meio a tantos chefes de Estado. 

• Pela primeira vez em 19 meses o número de óbitos pela covid andou em menos de cem por dia.

Rio de Janeiro, novembro de 2021