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Marcelo soube das suspeitas da Operação Miríade depois do caso ser divulgado à ONU

O Presidente da República não recebeu informação sobre o caso devido a "pareceres jurídicos", que entenderam que "não devia haver comunicação a outros órgãos, nomeadamente órgãos de soberania, Presidência da República ou parlamento". 


O Presidente da República indicou, esta terça-feira, que não recebeu informação do ministro da Defesa Nacional sobre o caso dos militares que estão alegadamente envolvidos em tráfico de diamantes e ouro antes de ser divulgado às Nações Unidas devido a "pareceres jurídicos". 

"O ministro da Defesa Nacional, hoje, por outras razões, falou comigo, e explicou-me que naquela altura comunicou às Nações Unidas, porque se tratava de uma força das Nações Unidas, que havia suspeitas relativamente a um caso em investigação judicial, e que na base de pareceres jurídicos tinha sido entendido que não devia haver comunicação a outros órgãos, nomeadamente órgãos de soberania, Presidência da República ou parlamento", explicou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas, na cidade da Praia, localizada em Cabo Verde, país que o Presidente da República visitou durante dois dias. 

O Conselho Superior de Defesa Nacional também não foi informado, uma vez que se trata de "uma investigação em curso e por isso rodeada, naturalmente, de um conjunto de características de segredo de justiça, que contraindicavam essa comunicação", adiantou ainda o chefe de Estado. 

O interrogatório aos 11 arguidos da Operação Miríade começou esta tarde com o juiz de instrução Carlos Alexandre, no Juízo de Instrução Criminal de Lisboa. A Polícia Judiciária executou ontem 100 mandados de busca e deteve 11 pessoas, incluindo militares, um advogado, um agente da PSP e um guarda da GNR, no âmbito da Operação Miríade, que está a investigar suspeitas de tráfico de diamantes e de ouro por militares portugueses em missões realizadas na República Centro Africana (RCA).

Segundo apurou o i junto de forças policiais, elementos de gangues das zonas suburbanas de Lisboa têm vindo, ao longo dos últimos anos, a infiltrar-se nas Forças Armadas e a utilizar as missões portuguesas em países em guerra para fazerem tráfico de diamantes, ouro e droga.