Internacional

Da Alemanha à Rússia. Os países europeus que bateram hoje recordes da covid-19

A Alemanha, Grécia, Noruega e Eslováquia registaram, esta quarta-feira, o número máximo de infeções da covid-19 desde o início da pandemia. Já a República Checa e a Hungria não tinham tantos casos há mais de seis meses. Na Rússia morreram 1.211 pessoas – um novo máximo.


Vários países europeus ultrapassaram, esta quarta-feira, o recorde máximo de casos diários de covid-19 e outros registaram o maior número de infeções desde há vários meses. O pico de casos na Europa surge um dia depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter alertado para uma nova “onda da pandemia” na região.

Segundo Mike Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, a Europa registou, na semana passada, metade dos novos casos de todo o mundo. No total já foram registados na região mais de 66,8 milhões de casos que resultaram na morte de mais de 1,3 milhões de pessoas, revela a base de dados Worldometer.

Esta quarta-feira, a Alemanha atingiu pela terceira vez em menos de uma semana o número máximo de novos casos: 39.676, mais 2.556 do que o recorde registado na sexta-feira.

O valor da incidência situa-se nos 232,1 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, o que também representa um recorde pelo terceiro dia consecutivo, segundo os dados atualizados pelo Instituto Robert Koch.

Segundo o jornal The Guardian, são vários os hospitais alemães que já se encontram “a trabalhar nos seus limites” e as Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) encontram-se “tão cheias de doentes coronavírus que não podem admitir outros doentes”.

Na Noruega registaram-se 2.216 novas infeções, o segundo recorde desde 1 de novembro, quando foram registadas 1.973 infeções. O país, que é um dos menos afetados pela pandemia, conta com mais de 87% da população adulta vacinada contra a covid-19.

Também a Grécia viu o número de casos diários aumentar nas últimas 24 horas. O país registou 8.612 novos casos, mais do dobro dos números do mês de outubro, e os hospitais começam a ceder à pressão.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, alertou, na terça-feira, que o país está “a enfrentar a quarta vaga” da pandemia e sublinhou que o seu governo está “focado em aumentar os números da vacinação” e a “tomar medidas que não recorram a um confinamento”.

Na sexta-feira, a Grécia tornou obrigatório a apresentação do certificado covid em todos os restaurantes – incluindo esplanadas – e espaços públicos fechados.

A Eslováquia foi o quarto país atingir máximos esta quarta-feira, ao registar 7,055 casos, mais 2.097 do que na véspera. O governo eslovaco alertou, na terça-feira, que “só a vacinação consegue ultrapassar a pandemia”. Em conferência de imprensa, o ministro da Saúde, Vladimir Lengvarsky, anunciou algumas novas medidas para combater a propagação da doença, que incluem a venda de refeições apenas em regime take away.

Já a Hungria e a República Checa não registavam tantos casos há vários meses. A Hungria registou 8.434 casos – um novo máximo desde abril – numa altura em que o governo autorizou que as empresas possam exigir que os seus trabalhadores sejam vacinados contra a covid-19. O uso de máscara obrigatório nos transportes públicos e a proibição de visitas nos hospitais voltaram a estar em vigor desde o início de novembro.

A República Checa registou 14.539 casos – o maior número desde 12 de março. Atualmente a incidência de novos casos é de 558 por 100 mil habitantes. O primeiro-ministro, Andrej Babis, afirmou, esta quarta-feira, que a “situação não é boa no país” e apelou a que “todos se vacinassem”. O governo checo decretou que todos os profissionais de saúde ou de lares serão testados semanalmente caso não estejam vacinados contra a covid-19 e todos os imigrantes legais poderão vacinar-se gratuitamente. Babis anunciou ainda que mais medidas serão anunciadas na sexta-feira, mas está, para já, um novo confinamento.

Por último, a Rússia ultrapassou recordes no que diz respeito a vítimas mortais: 1.211. O ‘pico’ de mortes surge após um confinamento de nove dias em várias cidades russas, incluindo Moscovo, entre os dias 30 de outubro e 7 de novembro. Na terça-feira, o ministro da Saúde russo revelou que o número de doentes covid a precisar de cuidados médicos desceu pela primeira vez desde agosto, mas sublinhou que o valor “permanece bastante alto”.

“Sem dúvida que esta queda se deve à paralisação de algumas regiões. Essas medidas mudaram a maré”, sublinhou Mikhail Murashko.