“Não podemos estar sempre à espera do D. Sebastião”. Gouveia e Melo diz que o seu papel está concluído

Vice-almirante deu palestra esta quarta-feira numa cerimónia de celebração do Dia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e lamentou politização da vacinação.

Henrique Gouveia e Melo defendeu esta manhã numa cerimónia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra que não se deve cair na tentação de procurar de novo um D. Sebastião, numa alusão às críticas que têm sido feitas à campanha de reforço da vacina da covid-19 e vacinação da gripe. "Não podemos estar sempre à espera do Sebastião. Ele é cada um de nós", afirmou o vice-almirante, defendendo que a solução seja encontrada internamente e que o seu regresso à task-force seria mau para o país, sinal de que não se aprendeu nada. Sobre o seu papel, deu a entender que está concluído. "Foi ajudar a colocar um penso rápido e, agora, temos de viver sem eles", afirmou Gouveia e Melo, que deixou de estar à frente da campanha de vacinação no final de setembro, quando foi desmobilizada a task-force de vacinação, depois de ter coordenado o processo desde fevereiro, substituindoFrancisco Ramos.

A reação surge depois de a Ordem dos Médicos ter apelado ao regresso da task-force, repto lançado ontem também por Paulo Rangel, que defendeu o regresso de Gouveia e Melo às funções. "A saída de Gouveia e Melo deixou a vacinação órfã", afirmou o bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães. "Ele [Gouveia e Melo] aliás até já disse que estava disponível, portanto o próprio já percebeu que alguém tem que deitar a mão a isto para nós evitarmos a situação de caos que se está a viver em alguns países europeus", disse por sua vez Paulo Rangel. Gouveia e Melo mostra no entanto não ver com bons olhos essa solução e criticou mais uma vez a politização do processo de vacinação.

A diretora-geral da Saúde, que há vários anos lidera o programa nacional de vacinação em Portugal, já reconheceu dificuldades no processo de vacinação e a cobertura está aquém do desejado no reforço da proteção dos maiores de 80 anos. No domingo Graça Freitas afirmou no entanto que não há um problema de falta de rosto na campanha de vacinação e que os portugueses podem habituar-se ao seu.