Economia

Taxa de desemprego é a mais baixa dos últimos 10 anos

Valor fixou-se nos 6,1% no 3.º trimestre e levou Costa a afirmar que “ninguém tem dúvidas que Portugal cumprirá os seus compromissos”.


A taxa de desemprego desceu para 6,1% no 3.º trimestre. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam ainda que, no segundo trimestre do ano, esse valor ter-se-á fixado nos 6,7%. Trata-se “do nível mais baixo dos últimos 10 anos e fica abaixo do nível que tinha sido registado no mesmo trimestre de 2019, em momento pré-pandemia (6,3%) e cai para mais de metade quando comparado com o mesmo trimestre de 2015 (12,4%)”, revela o ministério de Ana Mendes Godinho.

A população desempregada diminuiu 85 mil pessoas face ao trimestre homólogo (fixando-se em 318,7 mil pessoas). Este é também o valor mais baixo da década na população desempregada, considerando o terceiro trimestre. Por outro lado, a população empregada volta a bater um recorde e atinge novamente o valor mais alto da década, à semelhança do que já havia acontecido no segundo trimestre de 2020. No terceiro trimestre de 2021, havia 4,878 milhões de pessoas empregadas – são mais 503,4 mil pessoas do que a população empregada no terceiro trimestre de 2015.
A população empregada (4.878,1 mil pessoas) aumentou 1,4% (67,6 mil) em relação ao trimestre anterior, 4,7% (219,7 mil) relativamente ao mesmo período de 2020 e 1,5% (71,5 mil) por comparação com o 3.º trimestre de 2019 (período pré-pandemia).

Já a população desempregada, estimada em 318,7 mil pessoas, diminuiu 7,8% (27 mil) em relação ao trimestre anterior e 21,0% (84,8 mil) relativamente ao homólogo, enquanto a taxa de subutilização do trabalho – que inclui a população desempregada, o subemprego de trabalhadores involuntariamente a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis para trabalhar, e os inativos disponíveis, mas que não procuraram emprego – estimada em 11,9%, diminuiu tanto em relação ao trimestre anterior (0,4%) como ao homólogo (3,2%).

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que “estes dados mostram que o conjunto robusto de apoios que foi possível colocar no terreno desde o início da pandemia permitiram garantir uma salvaguarda efetiva dos postos de trabalho. Os números hoje conhecidos mostram que estamos abaixo do nível pré-pandemia e com metade do desemprego que se registava em 2015, o que é muito relevante”.

Também António Costa face as estes números defendeu que “ninguém tem dúvidas que Portugal cumprirá os seus compromissos europeus”. E acrescentou: “Temos uma longa tradição de, mudando os governos, os compromissos serem cumpridos. Obviamente está toda a gente surpreendida porque Portugal tem boa reputação internacional como um país estável e previsível, um país onde as legislaturas se cumprem (...). E de facto, têm dificuldades em perceber como é que surge uma crise num momento em que estamos em 1.º lugar na vacinação, somos dos países que estamos a recuperar mais fortemente da crise económica, como estamos a reduzir o emprego. Ainda hoje os números do INE são bastante impressivos, uma taxa de desemprego que já vai nos 6,1%”, disse o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas em Berlim, à margem dos encontros com o líder do SPD, Olaf Scholz, e com a chanceler Angela Merkel. 

Estes dados foram divulgados numa altura em que se a assiste a problema da falta de mão-de-obra que afeta todos os setores, uma escassez que ganha cada vez mais maiores dimensões à medida que a economia vai recuperando, podendo mesmo dificultar o crescimento da economia nacional. “A falta de mão-de-obra em vários setores continua a ser um problema e tem-se sentido sobretudo à medida que a economia começa a reabrir. É importante notar que ainda existem muitos apoios do Governo que não incentivam a procura de trabalho, apesar desses incentivos estarem a começar a ser reduzidos, e a atual falta de mão-de-obra poderá ser atenuada”, diz ao i Henrique Tomé, analista da XTB.