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BE quer ouvir com máxima urgência ministro da Defesa e Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas e Exército

Para os bloquistas, há "duas questões que importa esclarecer" sobre as suspeitas de uma rede criminosa de tráfico de diamantes, ouro e estupefacientes de militares portugueses na República Centro-Africana. 


O Bloco de Esquerda (BE) requereu, esta quinta-feira, audições urgentes ao ministro da Defesa Nacional, José Gomes Cravinho, ao Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e ao Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) sobre as suspeitas de uma rede criminosa de tráfico de diamantes, ouro e estupefacientes de militares portugueses na República Centro-Africana. 

De acordo com o requerimento do BE, que deu entrada hoje no parlamento, a Operação Miríade - investigação conduzida pela Polícia Judiciária sobre as suspeitas do contrabando - "veio colocar em causa a integridade e o prestígio das Forças Armadas Portuguesas, bem como a sua imagem na esfera internacional" e que fizeram levantar "perguntas que merecem um cabal esclarecimento por parte das entidades com responsabilidades na administração direta do Estado e da Defesa Nacional".

Para os bloquistas, há "duas questões que importa esclarecer": primeiramente "deve ser dada uma explicação cabal sobre os processos de controlo à chegada ao território nacional destes militares transportados em aviões da Força Aérea Portuguesa e outras aeronaves ao abrigo das missões da ONU" e em segunda instância deve ser explicada a "partilha de informação e a tomada de decisão política após o conhecimento das informações que levaram à abertura da investigação judicial".

Segundo o BE, não é possível encontrar "qualquer razão para que a informação sobre a existência desta rede criminosa - aliás partilhada com as Nações Unidas - não tenha sido partilhada com outros órgãos de soberania do Estado português", como o Presidente da República ou o primeiro-ministro, assinalou o partido. 

"O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda considera que todos os esclarecimentos devem ser prestados pelo Ministro da Defesa Nacional, bem como pelo Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e pelo Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), entidades que tiveram, inevitavelmente, uma participação direta neste processo, e que também poderão contribuir para uma melhor aclaração desta situação", apontou o BE. 

No mesmo seguimento, Adão Silva, líder parlamentar do PSD, também disse à agência Lusa hoje que o seu partido quer ouvir "com sentido de muita urgência na comissão parlamentar de Defesa Nacional" o ministro José Gomes Cravinho

"É completamente inaceitável este comportamento, que revela uma estranha desconfiança do senhor ministro em relação ao primeiro-ministro e em relação ao Presidente da República, que é só o comandante supremo das Forças Armadas", frisou Adão Silva.