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Porquê Rui Rio

Nas próximas eleições estará em causa a escolha do candidato do PSD a primeiro-ministro, exigindo conhecimento e preparação imediatos. Dito de outra forma, os militantes do PSD deverão escolher o rosto do PSD em quem os portugueses deverão confiar para liderar o Governo de Portugal 


Por António Prôa

Com responsabilidade, pela positiva e por Portugal. Sem fragilizar o PSD. Estes são os princípios que importa salvaguardar no momento em que se disputam eleições internas no PSD, à porta de eleições legislativas – circunstância inusitada.

Nas próximas eleições estará em causa a escolha do candidato do PSD a primeiro-ministro, exigindo conhecimento e preparação imediatos. Dito de outra forma, os militantes do PSD deverão escolher o rosto do PSD em quem os portugueses deverão confiar para liderar o Governo de Portugal numa eleição que ocorre imediatamente. A afirmação de Sá Carneiro sobre colocar em primeiro lugar Portugal, só depois o interesse partidário e finalmente as circunstâncias pessoais, ganha, nestas eleições internas, especial atualidade.

Até cerca de dois meses antes das eleições legislativas, o PSD e os portugueses não saberão quem é o candidato do PSD a primeiro-ministro. Não é bom e era escusado. Não é bom porque dificulta a adequada preparação para as eleições verdadeiramente decisivas e porque esta circunstância não confere previsibilidade e confiança. Era escusado porque os atuais dirigentes do PSD tinham mandato até depois da data das eleições legislativas, porque foi proposto ponderar o adiamento da marcação das eleições internas para depois da votação do Orçamento do Estado de modo a fixar o calendário com o conhecimento das circunstâncias políticas e porque não houve a necessária ponderação.

Pelo caminho fica em causa a devida valorização, pelo PSD, dos bons resultados autárquicos que obteve – objetivo central declarado pelo atual presidente do partido, engolidos pela discussão sobre a marcação de eleições quando todo o partido deveria sublinhar esse sucesso, significativo pelo aumento do número de presidências de câmara em relação a 2017 e até a 2013, importante pela subida eleitoral em meios urbanos e simbólico pela vitória em Lisboa. Foi um sucesso de cada candidato nestas autarquias, mas um sucesso global do partido que é mérito da atual direção.

Nas atuais circunstâncias inconvenientes de eleições internas sobrepostas a uma campanha eleitoral nacional, a responsabilidade dos candidatos (e dos militantes) é determinante para o sucesso eleitoral do PSD. A exposição do partido com guerras internas prejudica a confiança dos portugueses. O que está em causa é o futuro do país. A concentração tem de ser na preparação das eleições legislativas. Será incompreensível e indesculpável desperdiçar a oportunidade de apresentar devidamente as propostas do partido para o país.

Não é possível, logo não é credível, a apresentação de um programa consistente para o país elaborado em meia dúzia de semanas, ao mesmo tempo que se dispersa tempo e atenção a uma campanha interna.

Esta é a oportunidade para o PSD apresentar aos portugueses uma alternativa de governação que responda à incapacidade da atual maioria em manter o Governo. Esta é a oportunidade de propor um programa aprofundado através do trabalho dos últimos anos. Este é o momento de responder com uma solução e com abertura que consiga a estabilidade governativa. Este é o tempo de transmitir confiança sustentada na preparação.

O PSD ganhará com consistência nas propostas que induzirão confiança, com frontalidade sobre a abertura aos entendimentos políticos que promoverão estabilidade e com moderação na atitude que combaterá os extremismos.

Porquê Rui Rio? Pela responsabilidade, pela preparação, pela frontalidade e pela moderação.