Economia

Malparado. Governos europeus têm sido eficazes a impedir aumento

Fim das moratórias e programas de garantia pública podem vir a contribuir para aumentar o malparado.


A resposta dos governos europeus tem sido eficaz a impedir o aumento do crédito malparado, mas espera um crescimento à medida que as moratórias e programas de garantia pública terminam. A garantia foi dada pela DBRS. “A resposta abrangente dos governos europeus até agora tem sido eficaz na prevenção de um aumento nos NPL [’nonperforming loans’- crédito malparado] no curto prazo”, observou o vice-presidente da agência de rating norte-americana, Sinem Erol-Aziz. 

Mas lembra que “à medida que as moratórias e os programas de garantia pública terminam e outras medidas são revertidas”, é de esperar a “que os NPL aumentem”, acrescentando, no entanto, que “a deterioração dependerá de vários fatores, incluindo a recuperação económica do país”.

A DBRS sublinhou ainda que o “desemprego e os imóveis residenciais tiveram um desempenho melhor do que o esperado”, com um aumento dos preços do imobiliário em Portugal superior ao de outros países europeus. E chamou a atenção para o facto de preços imobiliários terem caído para cerca de 84,4% em meados de 2013,  tendo vindo a aumentar de forma consistente desde então, com os dados mais recentes a apontarem para um índice de 148,8%.

“Além de fatores como o desemprego e o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto], parte da geração de crédito malparado e da posterior recuperação depende do comportamento do mercado imobiliário”, explicou a DBRS.

Recorde-se que a Comissão Europeia atualizou, em 16 de dezembro de 2020, um plano de ação que visa reforçar o apoio ao desenvolvimento de mercados secundários para ativos em dificuldades, por forma a permitir que os bancos retirem os créditos malparados dos seus balanços, lembrou a entidade.

Apesar das dificuldades criadas pela pandemia de covid-19, ao longo de 2020 verificou-se uma “oferta considerável de transações de NPL”, embora no caso de Espanha e Portugal não tenha havido qualquer emissão pública naquele ano.