Tomar Partido

O futuro é ao centro

Não é de excluir que no dia 30 de janeiro à noite PS ou PSD ganhem as eleições, sem maioria absoluta e que se vejam na contingência de um ter de suportar o outro.


Sondagens recentes têm mostrado a tendência de serem o Bloco e o PCP os partidos mais penalizados com o chumbo do orçamento e a consequente dissolução da Assembleia da República. Ou seja, os portugueses culpam estes dois partidos pela crise política e pelas eleições antecipadas.

Se no início da ‘geringonça’, muitos saudaram a entrada desses dois partidos para o chamado ‘arco da governação’, com o passar do tempo deu-se a inevitável constatação de que o caderno de encargos que apresentavam era impossível de cumprir pelas finanças públicas periclitantes de um pobre país. Aliás, essas reivindicações não existem em nenhum país (desenvolvido) da OCDE.

Neste último Orçamento ficou à vista que se António Costa atendesse às exigências de Jerónimo de Sousa e de Catarina Martins, levaria o país rapidamente à bancarrota. Depois de seis anos, vamos dizer adeus ao tempo do PCP e BE bem-comportados, responsáveis e institucionais; e vamos dizer olá ao tempo das reivindicações, das manifestações e do radicalismo contestatário. 

Foi, sejamos francos, sem grande pena que a classe média pagadora de impostos se viu livre daqueles partidos que concebem o Estado como o princípio e fim da atividade humana e a medida de todas as coisas. Cansados da pandemia, dos confinamentos e dos percalços na economia, os portugueses querem soluções viáveis, serviços públicos que funcionem e políticos que falem pouco de ideologia e sejam bons executantes de soluções concretas para problemas reais. 

Também daquilo que vai transparecendo das sondagens, não parece que os eleitores estejam inclinados a darem poder absoluto nem ao PS, nem ao PSD – os dois únicos partidos capazes de vencer as eleições legislativas. 

Se à esquerda não há condições políticas nem económicas para reeditar uma ‘geringonça’, o radicalismo e as constantes ameaças de André Ventura também não recomendam uma ‘geringonça’ à direita que inclua o Chega. 

Não é por isso de excluir que no dia 30 de janeiro à noite PS ou PSD ganhem as eleições, mas sem maioria absoluta e que, sem parceiros de coligação à altura, se vejam na contingência de um ter de suportar o outro.

Não é mais possível termos dois blocos ideológicos de costas voltadas, é necessário, isso sim, o acordo do PS e do PSD em muitas matérias fundamentais para o sucesso do país. Sem o acordo dos dois, não há reformas e sem reformas, Portugal está condenado à pobreza e à irrelevância.

Estou convencida que estamos a entrar numa nova fase política diferente que ditará mudanças nas lideranças partidárias: é o povo que vai exigir novos posicionamentos e novas atitudes. Sobretudo mais reformismo e mais moderação.