Internacional

Trump congratula absolvição de Kyle Rittenhouse, Biden diz-se "zangado e preocupado"

Donald Trump deu os parabéns ao jovem de 18 anos, que matou duas pessoas numa manifestação antirracista e foi ilibado após alegar legítima defesa. Biden diz-se "zangado e preocupado", mas sublinha "que o júri decidiu". Já o próprio Rittenhouse afirmou estar feliz e frisa: "legítima defesa não é ilegal".


Donald Trump, ex-Presidente dos Estados Unidos da América, congratulou a absolvição de Kyle Rittenhouse, o jovem de 18 anos que matou duas pessoas numa manifestação antirracismo em Kenosha, no estado do Wisconsin, e foi ilibado de todas as acusações na sexta-feira, após alegar legítima defesa. Já o atual Presidente, Joe Biden, diz-se "zangado e preocupado", mas sublinha que é necessário obedecer à decisão do júri. 

“Parabéns ao Kyle Rittenhouse por ser considerado INOCENTE de todas as acusações”, disse Trump, através de um comunicado partilhado pela sua porta-voz, Liz Harrington, na rede social Twitter. “Chama-se ser considerado ‘não culpado’ – e, já agora, se isso não é legítima defesa, nada é”, acrescentou.

A 25 de agosto de 2020, Kyle Rittenhouse, na altura com 17 anos, matou dois homens brancos, de 26 e 36 anos, e feriu outro, numa manifestação antirracista após a polícia de Kenosha ter baleado Jacob Blake, um afro-americano, acusado de violência doméstica e que tinha um mandado para a sua detenção. Foi baleado sete vezes em frente aos filhos menores após ter resistido às autoridades.

Esta não foi a primeira vez que o ex-governante republicano mostrou o seu apoio ao jovem. Na época do incidente, quando ainda era Presidente, Trump afirmou em conferência de imprensa que o jovem “estava a tentar fugir deles [as vítimas], eu acho, parece ter sido isso, e ele caiu, e depois eles começaram a atacá-lo violentamente”.

Durante o julgamento, o advogado de Rittenhouse alegou que o jovem agiu em legítima defesa após ter sido atacado por manifestantes e que viajou da cidade vizinha Illionois para Kenosha com o intuito de proteger os negócios locais que estavam a ser vandalizados nas manifestações e de prestar auxílio a possíveis feridos. No entanto, a acusação considera que nenhuma das ‘vítimas’ – termo que foi proibido pelo juiz responsável do caso por ser uma “palavra pesada” que podia influenciar a decisão dos jurados – estava a tentar atacar Rittenhouse, mas sim a tentar “parar um atirador em ação”.

O adolescente estava acusado de cinco crimes: dois de homicídio em primeiro grau, um de tentativa de homicídio, um de ameaça à segurança por carregar uma arma semiautomática e outro de posse ilegal de arma.

Momentos após o veredicto, à saída da Casa Branca, um jornalista perguntou a Joe Biden, presidente dos EUA, qual a sua posição acerca do caso. “Eu mantenho o que júri concluiu. O sistema de jurados funciona e temos de obedecer”, considerou.

Mais tarde, a Casa Branca divulgou um comunicado onde se lia: “Embora o veredicto de Kenosha deixe muitos americanos zangados e preocupados, a mim inclusive, devemos reconhecer que o júri decidiu”.

Já o jovem revelou à Fox News, numa entrevista que será divulgada na segunda-feira, que “o júri chegou ao veredicto correto – legítima defesa não é ilegal”. “Estou feliz que tudo correu bem. Superámos a parte difícil”, considerou.