Economia

António Saraiva. "A economia nacional não cresce há mais de 20 anos"

Presidente da CIP defende, no próximo ato eleitoral, um acordo entre os dois partidos mais votados nas urnas.


O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, foi o orador principal da conferência “Economia e Coragem - Pilares de desenvolvimento”, organizado pela Civicus. Neste encontro, o responsável chamou a atenção para a falta de crescimento da economia portuguesa há mais de 20 anos. “Temos recursos, temos condições então porque é que não podemos ir mais longe?”, questiona.

O patrão dos patrões diz ainda que todos os diagnósticos já foram feitos e, como tal, no seu entender, “só falta fazer acontecer”, sob pena de ficarmos mais 10 anos com este cenário e aí “estamos 30 anos sem crescimento económico”.

A solução para António Saraiva passa por ter coragem e, acima de tudo, por existir vontade política. “O que temos vindo a assistir é a uma degradação dos agentes políticos”, ainda assim, admite que vamos assistindo a quem tem coragem “para fazer acontecer” e que esse papel é desenvolvido pelos empresários.

Para o presidente da CIP há que definir um rumo para o país e lamenta que o Governo tenha apostado em três eixos para aplicação da bazuca. “Um deles diz respeito à digitalização, uma aposta que há muito tempo que os empresários descobriram”. E foi mais longe: “Não tenho nada contra os funcionários públicos, mas não faz sentido estar a contratar 60 mil quando estamos a digitalizar essa área”, refere na mesma conferência.

Outro resgate? António Saraiva aponta ainda o dedo às medidas públicas tomadas pelo Governos nos últimos anos e que levaram a um aumento das despesas em 25 mil milhões de euros e da dívida em 70 mil milhões de euros. “A manter este caminho estamos com outro resgate às costas”, criticando ainda a atual carga fiscal. “Temos de ter coragem para fazer diferente”.

O presidente da CIP deixou ainda uma palavra sobre o aumento do salário mínimo definido pelo Governo para 705 euros para o próximo ano, lamentando a posição do Executivo na concertação social. “A concertação social não pode ser minorada, nem desrespeitada. Uma subida destas vai representar para as empresas um custo de 983 euros mensais. E os sindicatos nem sequer têm em conta se as empresas têm condições para levar a cabo esse aumento”, referiu no encontro da Civicus.

Próximo Governo António Saraiva relembrou que estamos à beira de um ato eleitoral e questiona porque é o próximo Governo não pode ser liderado entre PS e PSD, uma vez que, entende que são os dois partidos mais votados. “Porque não apostar num Governo de bloco central? Haveria acordo entre os dois partidos mais votados e, desta forma, o PS não ficaria refém dos partidos de esquerda”.