Cultura

Museu Metropolitano de Nova Iorque devolve à Nigéria três obras saqueadas no séc. XIX

Duas das obras são placas de bronze do século XVI, que fazem parte de um conjunto de objetos conhecido como “os bronzes de Benin”, que até agora pertenciam ao acervo do Met.


O Museu Metropolitano de Nova Iorque devolveu na segunda-feira três obras saqueadas da Nigéria no final do século XIX, estabelecendo ainda um protocolo com o país africano para descobrir a origem de outras peças da sua coleção.

“O Met (Metropolitan Museum of Art) continua comprometido com um processo responsável de colaboração e autenticação na compra de obras de arte, aplicando padrões rigorosos para verificar a história tanto de novas aquisições como de peças que já fazem parte da sua coleção”, declarou o diretor do espaço norte-americano, Max Hollein.

Duas das obras em questão são placas de bronze do século XVI, pertencentes a um conjunto de objetos conhecido como “os bronzes de Benin”, que até ao momento pertenciam ao acervo do Met.

No seguimento de uma investigação promovida pelo museu de Nova Iorque e o Museu Britânico, os investigadores puderam concluir que estes artefactos “foram saqueados pelas forças britânicas num ataque em 1897 à cidade de Benin, onde se localiza atualmente a Nigéria”.

Além disso, uma cabeça de bronze da cidade de Ife (Nigéria), que se estima ser do século XIV, e que foi oferecida ao Met, também foi devolvida, após o museu, ao invés de comprar a obra de arte, ter optado por promover a sua repatriação.

“Se outros museus pudessem fazer o que o Met fez, poderíamos restaurar a confiança do público e dos visitantes”, afirmou o diretor da Comissão Nacional Nigeriana para Museus e Monumentos (NCMM, na sigla em inglês), Abba Isa Tijani, citado pela agência EFE, acrescentando que o público “está cada vez mais interessado na proveniência das peças que estão expostas”.

“Especialmente nos museus da Europa, as pessoas estão a começar a dizer que os objetos não são legalmente propriedade daquelas instituições, mas estes continuam a exibi-los e estão a perder todo o crédito”, sublinhou.

Juntamente o cônsul da Nigéria em Nova Iorque, Lot Egopija, Tijani esteve presente na cerimónia “discreta”, que decorreu numa das salas privadas do museu, com o objetivo de receber oficialmente as peças. 

Esta devolução ocorreu na sequência de mais de um ano de negociações com as autoridades nigerianas e seis meses depois da Alemanha anunciar que no próximo ano vai começar a devolver “bronzes de Benin” da sua coleção nacional.

Ao todo, o museu detém na sua coleção cerca de 160 obras da cidade de Benin, entre as quais a premiada ‘máscara de marfim do Benim’. O Museu Britânico tem na sua coleção 928 obras e o Weltmuseum, de Viena, 173 peças.