Opiniao

Ensino universitário no pós-pandemia, um vento de mudança

O conhecimento está à distância de um clique, o que precisamos de dominar é o raciocínio, as aptidões e as competências que nos permitem chegar a esse conhecimento de forma rápida e eficaz.


Por Pedro Faísca, vice-diretor Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Lusófona

Com o confinamento, as universidades e por inerência o corpo docente tiveram de se reinventar de modo a lecionar e avaliar os discentes à distância ou com uma redução ao mínimo de aulas presenciais.

As plataformas digitais como o Colibri-Zoom ou o Microsoft Teams passaram a ser usadas de forma diária. A impossibilidade de realização de avaliações formais, forçaram a implementação de outros métodos de avaliação e a utilização de novas ferramentas pedagógicas de avaliação.

A pandemia, na realidade, acelerou a implementação de metodologias de ensino e de formas de avaliação da aprendizagem, que eram propostas do Processo de Bolonha mas que tardavam na sua efetivação de forma universal. O pensamento criativo, centrado no aluno e no desenvolvimento de competências e não na simples transmissão de conhecimento já vinha sendo efetuado, mas o confinamento apressou essa conversão.

No pós-confinamento, temos assistido por parte das instituições de ensino, uma vontade de manter parte do que nos foi exigido pela pandemia, assim como realizar outras mudanças há muito necessárias no ensino universitário. A Universidade Nova de Lisboa informou que o regresso às aulas será em parte misto. 

O reitor da Universidade de Coimbra vai mais longe e pretende nos próximos anos reduzir as aulas teóricas e substituí-las por aulas gravadas para serem ouvidas num horário flexível através das plataformas digitais. O vice-presidente do Instituto Superior Técnico informou numa entrevista a uma rádio que a partir deste ano letivo, os alunos de engenharia terão um reforço de formação nas áreas de humanidades, ciências sociais e artes no seu plano curricular. O curso de Medicina do ICBAS ofereceu este ano letivo uma unidade curricular opcional de poesia.

Esta onda de mudança vai obrigatoriamente propagar-se pelas outras instituições do país. Não podemos continuar a formar alunos como antigamente, favorecendo um conhecimento enciclopédico, e com uma rigidez nos currículos que dificulta a capacidade de adaptação que vai ser essencial num mercado de trabalho cada vez mais dinâmico.

O conhecimento está à distância de um clique, o que precisamos de dominar é o raciocínio, as aptidões e as competências que nos permitem chegar a esse conhecimento de forma rápida e eficaz.

Um ensino com os alunos como atores principais, com currículos versáteis, adaptado às necessidades do século XXI, é bem-vindo e essencial para responder aos desafios do amanhã.