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A escolha do primeiro-ministro

Se eu tivesse de apostar, apostaria que os laranjinhas, como militantes de um partido conservador que são, não arriscar e vão conservar aquilo que têm e conhecem bem: Rui Rio


O PSD escolhe hoje o seu candidato a primeiro-ministro. As eleições internas são todas iguais, mas há umas mais iguais do que outras. Quando escolhem a 27 de novembro o presidente do PSD com eleições legislativas antecipadas marcadas para 30 de janeiro, os 46.000 eleitores do partido sabem que estão a escolher o homem que se arrisca a ser primeiro-ministro.

Paulo Rangel tem uma história já considerável no PSD, foi governante, mas não foi aí que se notabilizou. O país deu por ele quando Manuela Ferreira Leite, à época líder, o escolheu para liderar a bancada no parlamento no outono de 2008, tribuno feroz, fez a sua reputação a debater contra José Sócrates. Na primavera de 2009, foi o escolhido para cabeça de lista do PSD às eleições europeias defrontando Vital Moreira. A escolha causou espanto e o PS foi proclamado vencedor antecipado, porém, em junho de 2009 foi Rangel quem ganhou as eleições europeias de forma surpreendente.

Se 2008 tinham disputado as eleições Manuela Ferreira Leite, Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes, em 2010 é o próprio Paulo Rangel que se substitui a Manuela Ferreira Leite para disputar a liderança contra Pedro Passos Coelho, disputa a que se junta José Pedro Aguiar Branco. Passos Coelho ganha e Rangel regressa à Europa. Volta a ser cabeça de lista às europeias de 2014, desta feita com uma derrota. A liderança do PSD muda em 2017, Rio é presidente e em 2019 volta a convidar Paulo Rangel para ser cabeça de lista às europeias, das quais sai com nova derrota. 

Próximo de Manuela Ferreira Leite, leal a Passos Coelho, parece ter sido a proximidade de muitos anos desde o Porto que causou fricção entre Rangel e Rio a ponto de ter havido troca de palavras azedas acerca da derrota europeia de 2019, mas tal não impediu que Rangel tivesse declarado apoio a Rio quando Montenegro disputou o poder. 

Rangel foi sempre muito mais da linha ideológico-programática de Ferreira Leite e Rio (que juntava conservadores e social-democratas) e muito menos da linha (mais liberal) de Passos Coelho, e talvez por isso se tenha pensado sempre que seria o ‘sucessor’ dessa tendência. 

Ainda assim existem cambiantes muito óbvias, desde logo em matéria de costumes. Católico assumido, as posições de Rangel em matérias de costumes foram sempre muito ortodoxas, veja-se a questão da legalização do aborto, casamento homossexual ou da eutanásia. Rui Rio, ao contrário, foi sempre muito progressista, firme e liberal em matéria de costumes. 

Os portugueses conhecem e já se habituaram a Rui Rio, conhecem-lhe os defeitos e as qualidades, com fama de homem sério. Não conhecem tão bem Paulo Rangel, para além de saberem que fala bem. 

São dois excelentes candidatos, mas se eu tivesse de apostar, apostaria que os laranjinhas, como militantes de um partido conservador que são, não arriscar e vão conservar aquilo que têm e conhecem bem: Rui Rio.
 

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