Economia

Ryanair. "Vamos ser maiores que a TAP com zero ajudas estatais"

A companhia aérea espera atingir os 13,5 milhões de passageiros transportados de e para Portugal em 2022 e, assim, ultrapassar a TAP.


“Em 2022, com um nova base na Madeira e mais duas aeronaves, uma no Porto e outra em Lisboa, vamos ultrapassar a TAP e com zero ajudas estatais”. Esta é a convicção do presidente executivo da Ryanair, que prevê que a companhia aérea low-cost irlandesa chegue aos 13,5 milhões de passageiros no próximo ano. Pelas contas da empresa, a TAP deverá ficar-se pelos 11,5 milhões de passageiros em 2022 em voos de e para Portugal.

Em conferência de imprensa na segunda-feira, Michael O’Leary apontou também o dedo à TAP por ocupar slots – os intervalos horários que as companhias aéreas usam para descolar ou aterrar nos aeroportos – no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, que mais tarde acaba por cancelar, por não ter aviões disponíveis.

De acordo com os dados apresentados pela low-cost, a TAP acumula 50% dos slots de Lisboa, mas depois não utiliza cerca de 30% destes, libertando “tardiamente” essas faixas horárias e “bloqueando” o acesso às companhias concorrentes.

“Com a frota existente da TAP”, – reduzida em 30% nos últimos tempos –, “é impossível preencher os slots todos”, frisou o CEO da Ryanair, apelando a que o Governo tome medidas para impedir que a situação se mantenha e insistindo que a TAP deve libertar “pelo menos 250 slots por semana” que não usa no aeroporto de Lisboa.

“A TAP não pode absorver todo este dinheiro do Estado e bloquear tantos slots. É o dinheiro dos contribuintes que está a ser deitado fora”, criticou, acrescentando que se a Ryanair tivesse mais slots disponíveis podia ajudar a recuperação do turismo no país ao “colocar mais 4 aviões em Lisboa este inverno”.

E reforçou: “Espero que o próximo Governo deixe de desperdiçar dinheiro, que podia ser investido em escolas e em hospitais, num projeto falhado como a TAP”.

Já quando questionado sobre o plano de reestruturação da companhia de aviação portuguesa, que ainda aguarda luz verde da Comissão Europeia, O’Leary defendeu que o Governo português deve introduzir um plano de resgate que não seja discriminatório para as outras companhias e considerou que os “rumores” sobre o interesse da Turkish Airlines em investir na companhia portuguesa “não pode acontecer, porque não são uma companhia da União Europeia” e, por isso, não podem ter uma posição maioritária na TAP.

Novas rotas 

A companhia aérea irlandesa anunciou também na segunda-feira a abertura de 17 novas rotas em Portugal, para o verão de 2022: de Lisboa para Bari (Itália), Madeira, Oujda (Marrocos), Poitiers (França) e Veneza (Itália), de Faro para o Luxemburgo, do Porto para Billund (Dinamarca), Madeira e Verona (Itália) e da Madeira para Bruxelas (Bélgica), Dublin  (Irlanda), Lisboa, Porto, Marselha, Luxemburgo, Milão (Itália), Nuremberga (Alemanha), Paris (França), Londres e Manchester (Inglaterra).

No próximo ano, a Ryanair vai passar ainda a operar com cinco bases e 28 aeronaves em Portugal, num investimento de quase 2,5 mil milhões de euros (2,8 mil milhões de dólares). Investimento esse que o presidente executivo da companhia admitiu poder ser maior “se o Governo português abrisse o aeroporto do Montijo”. “Não precisamos de mais nenhum estudo, sabemos que o aeroporto vai ser no Montijo”, alegou.

Relativamente aos receios com a nova variante de Sars-CoV-2, Ómicron, Michael O’Leary garantiu que a Ryanair seguirá as indicações de todos os governos onde opera.

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