Opiniao

Histeria

Histeria

Por Pedro Ochôa 

O governo, a reboque de uma imprensa ávida de alarmismo e de um grupo de supostos especialistas ávidos de protagonismo, decidiu endurecer as medidas de contenção de um vírus que poderá já ter sido pandémico, mas que no presente se manifesta somente de forma endémica, retrocedendo na reabertura da sociedade que fora iniciada em finais de Setembro passado.

É verdade que o número de casos de pessoas infectadas com o vírus da moda tem aumentado nos últimos dias, mas esse facto não se reflecte no acréscimo de fatalidades e de internamentos em unidades de cuidados intensivos, bem pelo contrário, estes dados têm-se mantido estáveis, com ligeiras oscilações tanto para cima como para baixo.

Sendo assim, só há uma explicação para esta fobia governamental em persistir nos sistemáticos atropelos às liberdades individuais: tapar o sol com a peneira, ou seja, aproveitar-se de uma presumida pandemia para esconder dos portugueses a completa incapacidade na arte da governação.

A receita é simples: uma imprensa dócil, subornada através de compadrios e de subsídios pagos pelo contribuinte, dissemina o medo junto das populações, bombardeando-as a toda a hora com notícias de pânico, levando-as a acreditar que se está perante uma ameaça de dimensões catastróficas.

Em simultâneo, um painel de pretensos especialistas em saúde pública, alguns dos quais com ligações óbvias a interesses económicos cujos lucros se multiplicaram desde o aparecimento deste famigerado vírus, e no qual pontificam alguns matemáticos, que, naturalmente, de epidemias percebem tanto como o cidadão comum de energia atómica, que têm como missão atribuída a de emitirem conselhos e pareceres que vão sempre na linha do que o governo pretende ouvir.

Qualquer outro entendido na matéria, cuja opinião se afaste da partilhada por estes doutos consultores, os quais, certamente, não estão na linha da frente no combate à praga que a todos nos aflige, porque lhes sobra demasiado tempo para se passearem diariamente pelas diversas televisões, é de imediato condenado ao ostracismo, rotulado de negacionista e, inclusive, alvo de processo disciplinar por parte da ordem dos médicos.

Estes ditos especialistas, os tais que há uns meses alertaram para os perigos do desconfinamento que arrancou em Maio transacto, antevendo, então, os cenários mais apocalípticos caso a vida regressasse a uma quase normalidade, insistiram agora com o governo na adopção de uma série de medidas extemporâneas, as quais, obviamente, não terão nenhuma influência na contenção da propagação de um vírus que já perdeu grande parte da sua força, seja por via da vacinação ou pelo simples facto de que estas estirpes vão enfraquecendo gradualmente há medida que o tempo passa ou que as variantes vão proliferando.

Sabe-se, hoje, de que nada vale ser-se vacinado ou não para se contrair o tal vírus e com ele se contagiar terceiros. A única diferença é a de que, eventualmente, um infectado vacinado não sofrerá tanto os efeitos da doença como um não vacinado.

Por outras palavras, um não vacinado não representa qualquer perigo acrescido, em relação aos restantes, para as pessoas que o rodeiam, mas tão-somente para si próprio, caso se confirme que a vacina reduz, de facto, os efeitos da doença.

Neste caso, que não tem contestação, qual a razão de se discriminar os não vacinados dos outros no acesso, por exemplo, a um restaurante, obrigando-os a uma testagem, que já não poderá ser a corriqueira efectuada no momento, mas sim a uma com um mínimo de 48h de antecedência, apenas disponível nas farmácias e nos hospitais?

E para quem gosta de beber um copo à noite, ou dar um pé de dança, qual a razão de que, mesmo estando vacinado, ter de o planear até dois dias antes, porque primeiro terá de se submeter a um teste antigénio ou PCR?

A resposta é óbvia: trata-se de uma cedência ao lobby dos laboratórios, que só nos últimos meses quadruplicaram as suas receitas. E também, claro está, uma forma camuflada de se tornar a vacina obrigatória.

A Covid-19, há que o reconhecer, transformou-se num negócio bilionário, não só para as farmacêuticas, que injectam quantias astronómicas nos meios políticos, empresariais e jornalísticos, com o claro objectivo de se expandir as vacinas à escala global, mesmo que estas venham a fracassar na eliminação da infecção, mas também de muita outra gente, cujas negociatas se têm imposto à custa do sofrimento alheio!

E afirmou-se, igualmente, como uma arma de arremesso político, servindo de mote a que governantes medíocres e corruptos se mantenham no poder, emergindo como os salvadores dos seus povos, através da implementação de regras de hipotética protecção contra uma doença que está muito longe de ter o carácter amplamente mortífero com que é apresentada.

Portugal, como não poderia deixar de ser, está na linha da frente desta nova realidade com que nos confrontamos, pelo que a política do medo tem que ser mantida a todo o custo, para que Costa nos possa dissimular toda a sua incompetência na governação do País, a corrupção que se alastra por todos os órgãos do Estado, o amiguismo e compadrio que se sobrepõe ao mérito na escolha dos servidores públicos e o desmesurado despesismo que tem conduzido ao esvaziar do erário e ao descarado saque aos bolsos dos portugueses, obtido por uma abismal carga fiscal que a todos nos empobrece cada vez mais.

Costa tem um único objectivo em mente, para o qual canaliza todas as suas energias, que é o de vencer as próximas eleições legislativas e, assim, se perpetuar em S. Bento.

Para o alcançar, aposta na propagação da histeria dentro da sociedade, levando a que os portugueses, acobardados por uma epidemia que já pouco se distingue de outras doenças respiratórias que se manifestam com maior incidência durante o período invernal, acatem, sem pestanejar, todas as restrições que lhes são impostas, as defendam mesmo com toda a agressividade que tem caracterizado o comportamento humano nestes quase dois últimos anos e reconheçam nele, no Costa, o homem certo que os poupará aos infortúnios do vírus assassino.

Essa histeria tem que ser alimentada no dia-a-dia, para que não esmoreça, razão pela qual há que empolar todos os episódios relacionados com a dita pandemia, tal como estamos a assistir a todo este frenesim à volta da nova variante, alegadamente importada da África Austral.

Sem qualquer base científica, mas apenas com a intenção de consolidar o histerismo reinante, cancelam-se, abruptamente, os vôos para um país que fala português e no qual vivem e trabalham milhares de portugueses, proibindo-se a entrada destes na sua Nação de origem, com a agravante desta despropositada restrição se verificar num período consagrado a festejos no seio familiar.

O governo, em geral, e as autoridades de saúde, em particular, não aprenderam absolutamente nada com o caos que se instalou há um ano nos hospitais, porque tiveram, desde então, todo o tempo para os preparar para uma nova carga viral, que sempre se soube que voltaria a ocorrer.

Não fizeram rigorosamente nada, bem pelo contrário, fruto da incompetência de quem gere os destinos da saúde, têm permitido que uma média diária de dois médicos abandonem o SNS, trocando-o pelo privado, onde auferem melhores ordenados e condições de trabalho mais vantajosas.

Para estes inaptos políticos que nos saíram em sorte, torna-se mais apelativo impor duras restrições que afectam seriamente a vida em sociedade, do que dotar as unidades de saúde dos meios humanos e materiais imprescindíveis para lidarem com infecções mais gravosas durante o tempo frio e húmido.

Enquanto o mundo endoidece, a Suécia, um país com uma taxa populacional idêntica à nossa, destaca-se por não alinhar nesta loucura global. Nunca confinou a sua população, jamais se determinou o encerramento de espaços públicos e privados, a utilização da máscara não é obrigatória, pelo que ninguém a usa, nem nunca usou, em lado nenhum, e recusou-se sempre a criar barreiras entre os vacinados e os não vacinados.

Como resultado, na actualidade é o país europeu com menor percentagem de casos emergentes de Covid-19 e de mortes associadas a essa doença.

Esta estratégia só foi possível de implementar pela simples razão de que os governantes suecos descartaram a responsabilidade pela adopção de medidas de controlo da pandemia, atribuindo-as, em exclusivo, às autoridades de saúde, as quais tomaram as necessárias decisões apoiadas somente pela ciência, sem cedência aos interesses políticos e financeiros. 

Contra factos não há argumentos. Basta seguir-se o exemplo de quem soube lidar, com sucesso e sem dramatismos, com mais um vírus dos muitos que sempre conviveram connosco.

 

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