Internacional

Shuai: a mordaça chinesa no ténis

Depois de acusar um alto cargo chinês de a ter forçado a ter relações sexuais, a tenista chinesa Peng Shuai desapareceu dos radares. Os alarmes soaram no panorama internacional, com as Nações Unidas a exigir provas de vida. Os chineses asseguraram que Shuai está bem, mas não faltam dúvidas.


Peng Shuai é a protagonista de um dos tópicos mais quentes da atualidade. A tenista chinesa está desaparecida, MIA, como dizem os norte-americanos (Missing in Action – ou Perdida em Combate). Depois de ter acusado o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli, no início de novembro, de forçá-la a ter relações sexuais há três anos, Shuai esvaneceu-se dos radares, sem dar sinal de vida.

A China é conhecida por tratar pouco amavelmente aqueles que criticam o seu Governo e Shuai juntou-se à lista de figuras que, nalgum momento ou noutro, desapareceram misteriosamente depois de tocar o poderoso Partido Comunista Chinês.

Recorde-se o caso de Jack Ma, o bilionário fundador da plataforma Alibaba, que esteve desaparecido durante 3 meses após ter feito um discurso crítico da estratégia de Pequim de minimizar os riscos no sistema financeiro e dos bancos tradicionais.

Tal como Ma, na altura, Shuai desapareceu sem deixar rasto e fez soar alarmes na comunidade internacional. As Nações Unidas, através de Liz Throssell, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, exigiu, primeiro, que fosse conduzida uma investigação meticulosa às acusações de Shuai, de quem pediu também provas de vida. Em declarações aos jornalistas, Throssell não deixou dúvidas: «É importante ter provas de seu paradeiro e bem-estar».

O órgão internacional seguiu assim a linha de comunicação de várias entidades, entre elas o próprio Governo dos Estados Unidos, exigindo à China que «forneça provas independentes e comprováveis» do paradeiro de Peng. Jen Psaki, secretária de imprensa da Casa Branca, expressou a «profunda preocupação» da administração Biden para com a atleta, e não deixou grande margem de manobra aos chineses.

A realidade é que, no passado domingo, Shuai surgiu numa videoconferência, junto de Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional (COI). A tenista garantiu estar bem, a viver na sua casa em Pequim, e a passar tempo com os seus amigos e família. A videochamada, no entanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos de muitos, já que temem que a tenista tenha sido coagida e esteja em perigo de vida.

A Women’s Tennis Association (WTA), por exemplo, disse que as garantias de Bach de que a tenista está bem não são suficientes para «aliviar as preocupações da WTA». «Foi bom ver Peng Shuai em vídeos recentes, mas não aliviam ou abordam a preocupação da WTA sobre o seu bem-estar e capacidade de comunicar sem censura ou coerção», disse um porta-voz da WTA à CNN.

Os oficiais chineses, por sua vez, têm-se mostrado opacos sobre o assunto e preferem tomar outra abordagem. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, em conferência de imprensa, pediu que o caso não fosse ‘politizado’ e não avançou grandes informações sobre o paradeiro de Shuai. «Acho que algumas pessoas deviam parar de usar deliberadamente esta questão para fins hostis e, especialmente, transformá-la numa questão política», disse, na terça-feira, negando-se a comentar o assunto, uma vez que, alega, não se tratar de uma questão diplomática.

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